"Hoje, é um bom dia. Olhamos em redor, como cegos que readquiriram a vista, e olhamos uns para os outros. Nunca nos tínhamos visto ao sol: alguém sorri. Se não fosse a fome!
Pois a natureza humana é feita de tal forma, que os sofrimentos e as dores que acontecem ao mesmo tempo não se somam inteiramente na nossa sensibilidade, mas escondem-se, os menores atrás dos maiores, segundo uma lei prospectiva definida. Isto é providencial e permite-nos viver no campo. E é esta também a razão pela qual tantas vezes, na vida livre, se ouve dizer que o homem é insaciável: pelo contrário, mais do que de uma incapacidade humana para um estado de bem-estar absoluto, trata-se de um conhecimento sempre insuficiente da natureza complexa do estado de infelicidade, pelo que às suas causas, que são múltiplas e hierarquicamente dispostas, se dá um único nome: o da causa maior; até que esta venha eventualmente a faltar, e então fica-se dolorosamente surpreendido ao ver que atrás dela existe outra; e na realidade, uma série de outras. Por isso, logo que o frio, que durante todo o Inverno nos parecera o único inimigo, cessou, apercebemo-nos de que tínhamos fome: e, repetindo o mesmo erro, assim hoje dizemos: «Se não fosse a fome!...»
Mas como se poderia pensar em não ter fome? O Lager é fome, nós próprios somos fome, fome viva."
em "Se isto é um homem" de Primo Levi
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
Hoje apetece-me só deixar-lhe uma música de que gosto e que não sei porquê faz-me lembrar de princesas que não param até terminarem a sua história. Acho que ela é uma boa personificação disto... Deixei-me ficar apenas embalada por esta música... a imaginar o que lá longe se passa e que direito temos de permanecer parados e quietos sem nada fazer para mudar este futuro que é o nosso também enquanto Humanidade.
Recentemente foi distinguida pela Academia com o seu Award Humanitário, sendo a actriz mais jovem a receber este reconhecimento perante o trabalho que já realizou apesar da sua idade. Conhecida por muitos como uma das mulheres mais sexys do mundo, prova ao mundo que é muito mais do que isso.
Comecei hoje a ler o diário das suas viagens que se refere ao período em que foi nomeada embaixadora da boa vontade para os refugiados (ACNUR) e é indiscritivel sequer imaginar o que ela descreve com o seu coração e sensibilidade. Sente-se o que lhe tocou a alma e sinto-me inquieta e tocada pela generosidade e simplicidade que coloca nos seus pensamentos.
Leiam e inquietem-se...
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
"Nos
anos 70, Marina Abramovic viveu uma intensa história de amor com Ulay.
Durante 5 anos viveram num furgão realizando todo tipo de performances.
Quando sentiram que a relação já não valia aos dois, decidiram percorrer
a Grande Muralha da China; cada um começou a caminhar de um lado, para
se encontrarem no meio, dar um último grande abraço um no outro, e nunca
mais se ver.
23 anos depois, em 2010, quando Marina já era uma
artista consagrada, o MoMa de Nova Iorque dedicou uma retrospectiva a
sua obra. Nessa retrospectiva, Marina compartilhava um minuto de
silêncio com cada estranho que sentasse a sua frente. Ulay chegou sem
que ela soubesse e... Foi assim."
Ando numa de viagens... E de preferência baratinhas e em conta.
Há uns dias ouvia uma amiga dizer-me que ia até França... Perguntei-lhe porquê esse destino e o porquê da viagem. A resposta? Posso dizer que foi sublime (a meu ver). O destino era por termos de comodidade, mas a razão da viagem é sem dúvida fantástica:
- "Este ano vai ser duro em termos de crise. Eu para combater este ataque depressivo geral vou fazer uma viagem no fim dos exames."
Acho que é isto sem dúvida. Claro que nem sempre é possível, eu sei! Mas para aqueles que for, acho que o devem fazer, eu vou tratar de fazer o mesmo. Poupar em tudo o que for possível, viver a vida dentro das minhas possibilidades, mas fazer aquilo que me der prazer nem que seja em "low cost".
E por acaso ou não, encontrei um programa na RTP 2 chamado mesmo assim "Low Cost". (Muitas vezes queixamo-nos que na televisão pública não dá nada como deve ser... Aí está uma proposta para nos deixar caladinhos e deliciados em frente ao ecrã) Experimentem!
Este fim de semana falou-se da nossa querida Lisboa. Nos próximos serão descobertas: Madrid, Valência, Paris, Londres, Nápoles, Roma, Budapeste, Berlim, Atenas, Helsínquia, Viena, Amsterdão.
Aconselho-vos a ter um caderno à mão quando assistirem, já agora. :)
Deixo-vos aqui a sinopse do programa:
Low Cost é um desafio para tentar provar que viajar pode ser mais barato do que pensamos. Apenas temos de saber como. Low Cost é a chave! Um jovem passa o fim de semana numa cidade europeia com um orçamento limitado: 200 € para estadia, transportes, refeições, compras, museus, visitas culturais e ainda ... saír à noite. Em cada episódio vamos passar um fim-de-semana numa cidade emblemática europeia, visitando os monumentos mais característicos, provando a sua gastronomia, procurando os espectáculos mais típicos..
" (...)
Na montra de uma papelaria estava um pequeno globo terrestre. Pouco maior era do que a palma da mão, mas tem os continentes bem marcados, bem separados pelas águas que não se levantem dúvidas.
(...)
Cidade fora com o mundo no bolso. Da próxima vez que dissessem: «Amérika!Amérika» iam ver.
(...)
Das outras vezes não valia a pena argumentar. Jornalista, branco, a falar inglês, é americano! É espantoso como se consegue dividir e simplificar a sociedade. Nós e os outros. O bem e o mal. A noite e o dia. O preto e o branco e a quantidade de luz e cor que se perde nesta paleta social.
(...)
Um dia mais tarde, numa pequena escola corânica, o Mullah, (...) líder religioso daquela comunidade, inquiria-nos sobre a nossa pátria. Devia ter a nossa idade, ou lá perto. (...) Ouvia-nos com um sorriso nos lábios, mas o rosto abriu-se quando viu o globo. Aquele homem, o homem mais culto do seu lugar, nunca tinha visto a Terra assim representada. (...)
Cansado de ensinar e descodificar versículos, o mestre passava a aluno. (...)
Tinha encontrado um novo amor: a paixão e a curiosidade pelo saber."
Lisboa, 10 de Junho de 2010
José Carlos Ramalho - RTP
do livro "Câmara de reflexão - Uma imagem, mil palavras"
O que somos?... portugueses!
É mais do que "Nós e os outros" - porque se perde luz quando o fazemos...
Ainda neste século, há quem "nunca tinha visto a Terra assim representada." É assustador quando percebemos os degraus que ainda existem...
E ás vezes nem percebemos bem o que é ser português, europeu... Isso só por si já faz tanta diferença... É como se já nascêssemos num outro degrau, que tantas vezes damos como bem adquirido, mas que é bem mais que isso...
Lembro-me de lá longe, depois de horas de viagem de avião me perguntarem com a simplicidade de um sorriso se tinha ido de comboio.. Como se viesse dali do lado... :P
"Os nossos sofrimentos são pequenos quando comparados com outros. Numa altura em que há uma evidente crise financeira, há que relativizar o sofrimento para que não se fechem os olhos aos outros." A frase é de Catarina Furtado, embaixadora da Boa Vontade das Nações Unidas há dez anos, e que volta a abrir os olhos aos outros a partir de sábado na RTP1, com a estreia da segunda temporada de Príncipes do Nada.
Consciente da urgência de cumprir os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio até 2015, Catarina Furtado sabe que há ainda muito para fazer. "Para esta segunda série, voltei a alguns sítios onde tinha estado há três/quatro anos. Notei que houve alguns avanços, por exemplo, ao nível da escolarização. Mas há ainda tanto para fazer. Tanto, tanto", enfatiza a apresentadora que, quando regressa a casa, não consegue libertar da pele os cheiros, a dor e o sofrimento.
A Associação de Telespectadores classificou 'Príncipes do Nada', apresentado por Catarina Furtado e transmitido pela RTP1, como o melhor programa de televisão de 2010.
Na sua análise anual sobre os programas de televisão, a associação explica que o programa impôs-se mostrando "o outro mundo do nosso mundo de uma forma sóbria, através de um jornalismo sem sensacionalismo nem gongorismos".
Durante este ano de 2011 o programa tem continuado...
“É a 2.ª série de 13 programas. Cada programa inclui duas a três histórias de vida passadas em diferentes países de expressão portuguesa. Catarina Furtado viaja por Moçambique, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Timor-Leste e Guiné-Bissau e relata na primeira pessoa o trabalho feito, nestes países em desenvolvimento, por voluntários, organizações não-governamentais, organismos da ONU, organizações religiosas e pela Cooperação Portuguesa, através do IPAD. São sempre histórias humanas que apelam à nossa consciência de cidadãos e a uma urgência de actuação. E que nos mostram como o mundo é profundamente desigual e injusto apesar do grande esforço de muitos.”
"Cumpro a minha sentença numa prisão tangível, enquanto tu esperas na prisão intangível do coração. O teu amor é a luz do sol que salta os altos muros e penetra as barras de ferro da janela da minha prisão, golpeando cada milímetro da minha pele, aquecendo todas as células do meu corpo, permitindo-me sempre manter a paz, a franqueza, o brilho no coração, e encher de significado cada minuto do meu tempo. O meu amor por ti, por outro lado, é tão cheio de remorsos e lamentos que me fez cambalear perante o seu peso. Eu sou uma pedra insensata no deserto, chicoteada pelo vento violento e chuva torrencial tão fria que ninguém se atreve a tocar-me. Mas o meu amor é sólido e afiado, capaz de perfurar qualquer obstáculo. E mesmo que eu fosse esmagado e me tornasse pó, eu ainda usaria as minhas cinzas para te abraçar. "
(escrito pelo prémio nobel da paz 2010 da prisão onde se encontra preso)
Um homem entusiasmado pela vida e apaixonado pela justiça!;)
Um filme que sem dúvida não tem “stop”. Apesar de no fim, o filme desaparecer da tela, ele permanece na mente em continuo “play”. E o silêncio que permanece na sala é a prova disso.
Deixa uma entre tantas outras questões:
- Até que ponto somos capazes de ir pela nossa fé?
Se rapidamente respondermos, será que o que dizemos é realmente verdadeiro?
No filme também Joe é rápido a responder... Quando julga a sua amiga jornalista aquando da retirada dos europeus... Mas depois por mais que tente nunca conseguirá fugir...
Uma noite num celeiro em que ficam umas palavras na cabeça:
“ a propósito disto de fazermos a diferença: “ao regressar de Oslo, depois de ter recebido o prémio nobel da paz, a madre Teresa de Calcutá falou com vários jornalistas, madre Teresa não se privou do contacto com os jornalistas, mas recebeu-os como filhos, colocando na mão de cada um, uma medallhinha da Imaculada Conceição. Os jornalistas pagaram-lhe com muitas fotografias e perguntas, um deles disse-lhe a ela :
– “Madre, já tem 70 anos, quando morrer o mundo ficará como antes, o que é que mudou depois de tantas fadigas?” Realisticamente: O prémio nobel da paz vai morrer e o que é que mudou no mundo? A madre Teresa mostrou um sorriso e depois chegou-se mais perto e disse:
- Mas eu nunca pensei que ia mudar o mundo. Procurei somente ser uma gota de água limpa, na qual o amor de Deus esteja reflectido. Parece-lhe pouco?
O jornalista não conseguiu responder e ao redor da madre fez-se silêncio.madre Teresa retomou a palavra e dirigiu-a ao jornalista:
- Procure ser também o senhor uma gota de água limpa e assim já seremos dois. É casado?
Jornalista: – Sim madre.
Madre: - Diga à sua esposa e já seremos três. Tem filhos?
Jornalista: - Três filhos madre.
Madre: - Diga também aos seus filhos e já seremos seis.
Madre Teresa tinha dito que cada um de nós tem nas mãos um pequeno, mas indispensável capital de amor, que devemos procurar fazer render. O resto ou é divagação inútil, ou é estéril, ou é vontade de fingir.”
Ouvir este Senhor sentada na relva e a olhar a cabra ao longe, foi uma grande despedida de uma cidade em que vivi momentos inesquecíveis...
E recordar que mesmo ali ao lado, num dia de chuva torrencial, quanto mais chovia, mais cantávamos...
A teoria dos seis graus de separação originou-se a partir de um estudo científico, que criou a teoria de que, no mundo, são necessários no máximo seis laços de amizade para que duas pessoas quaisquer estejam ligadas.
"No estudo, feito nos Estados Unidos, procurou-se, através do envio de cartas, identificar o números de laços de conhecimento pessoal existente entre duas pessoas quaisquer. Cada pessoa recebia uma carta identificando a pessoa alvo e deveria enviar uma nova carta para a pessoa identificada, caso a conhecesse, ou para uma pessoa qualquer de suas relações que tivesse maior chance de conhecer a pessoa alvo. A pessoa alvo, ao receber a carta, deveria enviar uma carta para os responsáveis pelo estudo." Wikipedia
Recentemente assisti a um documentário e resolvi colocá-lo aqui para que assim como eu, pudessem perceber em que consiste a teoria.
Para além do conhecimento das redes sociais permite também decifrar questões importantes relacionadas com o estudo de doenças (uma das principais, o cancro)... É só ver!
Coimbra é sem dúvida uma cidade que nos dá lições de vida a toda a hora…
As minhas viagens de autocarro proporcionam-me momentos de pura esperança. Vejo mesmo autênticos testemunhos de esperança. Porque apesar de sempre nos queixarmos que tudo vai mal, ainda há muita coisa boa a acontecer à nossa volta.
Desde um senhor de cerca de 50 anos que todos os domingos acompanha a sua mãe na sua volta de autocarro… uma senhora muito reguila por sinal. Sempre que o filho se senta antes dela, ela faz questão de se sentar em outro lugar, obrigando-o a ir ter com ela.
E se fazendo isto uma vez, talvez isso não tivesse qualquer problema. Da forma repetida que é, é impressionante ver a paciência com que o filho vai ter com ela todos os domingos, em que ela se decide trocar-lhe as voltas nos bancos do autocarro.
Outro exemplo é o de uma família que faz questão de andar sempre de sorriso na cara. E quando vamos a ver, tanto o pai como a mãe são cegos. E assim lutando, vão fazendo da sua vida, apenas mais uma vida normal. E sublinho… Andam sempre a sorrir!!!! É um grande sinal não?
Muitos exemplos poderia contar. Porque felizmente há muitos mais. Posso dizer que foi uma coisa que me marcou, quando ainda era caloira. Coimbra é uma cidade aberta a todos. E ainda não é perfeita em termos de acessibilidade, mas é quase perfeita na integração de pessoas com incapacidades, pelo menos naquilo que vejo.
Que continue assim, e que aprendamos com estes rostos de Cristo a sermos também melhores dia após dia.
E claro, sempre com um sorriso nos lábios! Mas um sorriso sincero! ;)
O meu último post foi apenas um filme, mas um filme que diz mais deste Papa que se tornou tão próximo de nós nestes dias. Sou sincera que a ele me converti, sem dúvida. Tornou-se o meu avozinho na fé. :)
Hoje decidi colocar um bocadinho da história do filme que postei, porque acho que é sem dúvida uma forma de fazer missão, dar a conhecer o Papa aos outros. assim aqui fica um pequeno relato. Eu achei-o maravilhoso:
"
15 horas de trabalho, 1.000 fotografias, mais de 1.400 desenhos... Vários universitários produziram um vídeo intitulado "Do you know Benedict XVI?" que, em poucos dias, recebeu inúmeras visitas na Internet.
Tudo começou quando decidimos apresentarmo-nos no congresso UNIV que decorre em Roma, anualmente, na Semana Santa. No ano passado tínhamos já filmado uma apresentação em vídeo e tínhamos sido premiados pela qualidade técnica, mas este ano pretendíamos ir mais longe. Somos um grupo de cinco estudantes da Faculdade de Comunicação da Universidade de Navarra e frequentamos o Colégio Mayor Mendaur.
Santi, editor do vídeo.
O nosso ponto de partida era claro: produzir um vídeo que mostrasse Bento XVI e a sua capacidade para transmitir grandes ideias de maneira simples. Queríamos deixar claro que o Papa chega aos jovens com uma mensagem renovadora de elevado nível intelectual; ou seja, não é uma figura longínqua, antiquada, incompreensível ou anciã, mas antes alguém muito próximo de nós.
Ideias inovadoras... mas sem tempo No entanto, não sabíamos ainda como fazer avançar essa ideia. O Miguel Rojo, estudante do terceiro ano de Publicidade e Relações Públicas, não nos acompanhara no ano anterior e tinha muita vontade de participar no projecto, especialmente se nos decidíssemos a fazer algo realmente criativo. O Miguel é um grande desenhador e tem ideias originais.
Entre ele e eu fomos amadurecendo a ideia durante pouco mais de um mês enquanto continuávamos com os nossos respectivos cursos universitários e com outros projectos. Como a arte também me atrai muito, optámos por criar algo que tivesse uma estética inovadora, algo que ninguém tivesse ainda feito para um tema na aparência tão sério como a figura do Santo Padre.
Tudo eram boas ideias mas o tempo escasseava...
Pensámos em fazer “kinetic typography” (letras em movimento com programas de efeitos especiais) ou uma animação por computador com Flash ou 3D ou uma animação com desenhos ao estilo da Disney, etc … Eram tudo ideias prometedoras, mas o tempo escapava-se-nos.
A noite anterior
Chegou o dia anterior à entrega do material e apenas tínhamos a ideia inicial. Álvaro Piquer, estudante de Jornalismo, tinha conseguido toda a informação necessária para um projecto destas características: a biografia do Papa, algumas das suas viagens, as suas ideias principais, comentários de outros líderes religiosos… Cada vez nos assombrava mais a figura do Santo Padre, mas continuávamos sem saber o que fazer. Chegou a noite e eu estava completamente bloqueado e céptico diante do projecto. Já não havia tempo para nenhuma das ideias tão atractivas que tínhamos tido. Só tínhamos um dia para o fazer.
Foi então que o Miguel se lembrou do “Stop-motion”. Já tínhamos falado disso alguma vez, mas parecia-nos algo demasiado simples. Agora era a nossa única esperança. Tínhamos ideias sobre o Papa, uma câmara fotográfica de um amigo e suficiente habilidade para poder fazer alguns desenhos. Fomos dormir sabendo que o Domingo ia ser um dia intenso. E isso, sem guião… Algo realmente horrível para a maioria dos nossos professores da Faculdade.
Tínhamos ideias sobre o Papa, uma câmara fotográfica de um amigo e alguma habilidade para poder fazer desenhos.
O rotulador aguentou
No entanto, providencialmente, tudo começou a funcionar. 15 horas de trabalho, mais de 1.000 fotografias e (evidentemente) mais de 1.400 desenhos. Foi uma corrida, sem sabermos qual seria o desenho seguinte. Não sabemos ainda como resistiu o rotulador …
O Juan Camilo Pedraza ajudou-nos a fazer as fotos e fixou-se na coerência da história enquanto o Miguel e eu desenhávamos. Depois, passei as fotos para um programa de edição e tudo acabou neste vídeo. O Alberto Bonilla, também estudante de Jornalismo, encontrou uma música espectacularmente adequada para o vídeo e foi quem o apresentou na fase do UNIV de Navarra. Atribuíram-nos o primeiro prémio.
O Miguel não tinha estado connosco no ano anterior e tinha muita vontade em participar no projecto.
É verdade que faltam dados e, quiçá, não seja muito profissional, mas cremos que essa espontaneidade é o que dá frescura e graça a um vídeo que, mais do que pelo conteúdo, apoia o Papa com o gesto de uns jovens estudantes que mostram a sua própria visão da sua pessoa."
“Ele quer como todos os outros que desfilam neste posto de policia, alcançar a Inglaterra. Há-de chegar lá, custe o que custar.”
Encontrei o filme por entre umas conferências realizadas em parceria com a Faculdade de Economia de Coimbra. E sinceramente achei que foi uma ideia GENIAL!!! Pois para além de se tratar de cinema grátis, ainda era dado um livro de apoio ao filme, que me permitiu contextualizar a temática do filme nos dias de hoje e perceber o porquê de ter sido premiado pelo Parlamento Europeu. Alguns excertos deixo de seguida, alguns comentários meus também. J
Testemunhos de voluntários
Jean-Claude Lenoir, membro da Salam (organização que ajuda os clandestinos) já conheceu de tudo: termo de identidade e residência, escutas telefónicas, perseguições. “Tornámo-nos mesmo paranóicos”, consta, em dado momento “mudava de percurso, tinha a obsessão, tinha o medo de ser espancado”. Alojou no seu pavilhão um sem número de clandestinos, utilizou mesmo nomes falsos. “Os policias sabem efectivamente que nunca ganhei um só cêntimo. Mas vejam em que estado estão os clandestinos! Quando os nossos filhos julgarem a história, que ideia é que terão de tudo isto?”
A realidade do filme mostra que AINDA HOJE, há uma história mundial que desconheço. Ainda hoje se sofre por ser estrangeiro, ou por se ser diferente do que se diz “normal”. E não apenas por se sentirem marginalizados, mas sim porque muitas vezes pagam os seus sonhos com a própria vida. Sou sincera, que nem sempre consigo ver quais os estragos que advêm, por um lado de tanta discriminação e por outro lado de tanta indiferença. O filme serviu precisamente para eu perceber isso, tendo sido realizado de forma a demonstrar quais as consequências práticas do artigo L 622-1 do código da estada dos estrangeiros em França.
“Qualquer pessoa que, por ajuda directa ou indirecta, tenha facilitado ou tenha tentado facilitar a entrada, a circulação ou a estada irregular de um estrangeiro em França será punida com prisão por um periodo de cinco anos e uma multa de 30 000 euros. Os deputados socialistas defenderam no ano passado despenalização de qualquer ajuda, quando a salvaguarda da vida ou a integridade fisica do estrangeiro estiver em causa, excepto se esta ajuda der lugar a contrapartidas. Assim, não entraria no âmbito da lei “o simples facto de levar no seu veiculo um estrangeiro qualquer que seja o trajecto” (como acontece no filme).
Outro facto com o qual me confrontei no filme e nunca me tinha apercebido antes foi com a morte dos estrangeiros clandestinos. Morrem muitas vezes sem atingirem os seus destinos ou mesmo atingindo, caso não se legalizem acabam por morrer longe das suas familias. Familias que nunca chegam a saber da sua morte.
“Pois conhecemos o número dos que chegam, mas nunca o dos desaparecidos. Morrem quando estão quase a alcançar o fim pelo qual tinham aceitado tantos sofrimentos e privações. Mortos, sem sepultura, sem nome, solitários e mudos na morte.”
E isto tudo aqui na nossa Europa!!!!
Por isto, é importante não baixar os braços e defender também os direitos humanos. Nesta linha se insere uma posição do papa Bento XVI quando afirma: “Convido todos a olharem olhos nos olhos os seus vizinhos e pessoas próximas e a olharem e verem a sua alma, a sua história e a sua vida e dizer para si: é um homem e Deus ama-o como Deus me ama a mim”. “Temos de ir ao cerne da questão, ao significado e à importância do ser humano”. “
Assim: “Chegar vivo: um milagre. E finalmente contente: uma raridade”
Outra delicia do filme é a ténue ironia que se encontra subjacente à banda sonora do mesmo, pois o filme é francês, mas a banda sonora foi realizada pela orquestra de Roma. Onde está a ironia? Pois bem, é que para além de França também Itália adoptou este tipo de políticas “anti-estrangeiros”.
No entanto, e para acabar em bem. O amor não podia faltar e também ele atravessa todo o filme....
“O amor, valor universal acima de qualquer outro encontra-se simbolizado no anel, que passa de gerações em gerações, que é entregue a Bilal e que é depois entregue a Minar em sinal do amor deste. E se virmos bem é do amor de Bilal e de Simon que fala o filme. Do amor que luta contra tudo e todos...”
Professor da Faculdade de Letras de Coimbra
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Desde as músicas mais antigas...
"Think about the generations and they say: We want to make it a better place for our children and our children's children. So that they know it's a better world for them; and think if they can make it a better place."
Existe um lugar no teu coração e eu sei que é amor.
Este lugar poderia ser muito mais resplandecente.
Se realmente tentares, descobrirás que não é preciso chorar.
Neste lugar não existe dor ou tristeza.
Existem caminhos pra chegar lá...
Se te preocupares o suficiente com a vida: cria um pequeno espaço, cria um lugar melhor...
Cura o mundo, torna-o um lugar melhor, pra ti e para mim e para toda a humanidade.
Existem pessoas a morrer!
Se te preocupares o suficiente com a vida, cria um lugar melhor para ti e para mim.
Se quiseres saber porquê,existe um amor que não pode mentir...
O amor é forte,ele apenas se importa com a entrega alegre.
Se tentarmos, veremos nessa felicidade, que não podemos sentir medo ou temor
Paramos de existir e começamos a viver.
Então parece que o amor é suficiente para crescermos.
Então faz um mundo melhor,cria um mundo melhor..
E o sonho em que formos concebidos,revelará um rosto jubiloso...
E o mundo em que certa vez acreditámos, brilhará novamente em graça.
Então porque continuamos a sufocar a vida,a magoar este planeta, a crucificar a alma,embora seja simples de perceber [que] este mundo é divino...sê o brilho de Deus, nós poderemos voar tão alto [e]... No meu coração sinto que todos são meus irmãos.
Às músicas mais recentes...
Bob Sinclair - "What a wonderful world"
"Imagina
Imagina não sentir nenhuma dor
Não sentir qualquer sofrimento ..
Mas sentires-te bem e livre
Imagina-te flutuando no ar
E estás a voar...
E em todos os lugares que olhares existirão pessoas e estarão sorrindo,
As pessoas se amarão umas às outras
Partilhando uns com os outros
Imagina um mundo onde exista
Só a paz, onde não há raiva,
Onde não existe ódio, onde não há guerra,
Imagina um mundo que não tem nada além de amor
nada além de alegria
Este mundo é algo de que precisamos
Imagina!
Imagina um mundo
Sem cor
Toda a gente se respeita
Imagina uma vida sem fim
Todos os dias será um novo começo
Então deixemos a espera."
o sonho continua...
Que neste ano europeu de luta contra a pobreza e exclusão social se torne realidade... Mãos à obra!
Há vezes em que o mundo parece mesmo assim não?... Gostei da ironia ;)
I want to be rich and I want lots of money
I don't care about clever I don't care about funny
I want loads of clothes and f**kloads of diamonds
I heard people die while they are trying to find them
I'll take my clothes off and it will be shameless
'Cause everyone knows that's how you get famous
I'll look at the sun and I'll look in the mirror
I'm on the right track yeah I'm on to a winner
I don't know what's right and what's real anymore
I don't know how I'm meant to feel anymore
When we think it will all become clear
'Cause I'm being taken over by fear
Life's about film stars and less about mothers
It's all about fast cars and passing each other
But it doesn't matter cause I'm packing plastic
and that's what makes my life so f**king fantastic ...
Forget about guns and forget ammunition
Cause I'm killing them all on my own little mission
Now I'm not a saint but I'm not a sinner
Now everything is cool as long as I'm getting thinner