Mostrar mensagens com a etiqueta so o melhor_livros. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta so o melhor_livros. Mostrar todas as mensagens

sábado, 8 de dezembro de 2018

Cativar

Durante as últimas semanas esta foi a palavra..

Cativar e apaixonar.

Hoje em dia tenho a sorte de fazer parte de uma empresa que tem um CEO que sabe apaixonar.
E que sabe conquistar as pessoas certas para os imensos projectos que leva a cabo por meio desse dom.

Acredito que pode haver vezes que se confunda com manipular.
Mas neste caso, a palavra mesmo é cativar.

Contava-nos a história da criação do hotel que detém em pleno Alentejo.
E de como ele primeiro se apaixonou e em memória da mãe decidiu reconstuir uma herdade.

Depois os passos da paixão.
Definiu quem queria a seu lado para construir o sonho.
E depois da necessidade de apaixonar estas  pessoas, pelo projecto, pela  história do projecto e pela responsabilidade deste projecto em tentar trazer pessoas não só de Portugal, mas de todo o mundo para o Alentejo.


Cativou-me a mim também pelas palavras e por esta visão.

Claro acredito que o dinheiro também move as pessoas, mas acredito que elas apenas permanecem quando se apaixonam.



Encontrei um livro que fala  sobre isso.
Sobre aquilo que nos apaixona.
Quem nos inspira e na nossa capcidade de quando apaixonados também sermos capazes de inspirar.

Ainda não o li, mas sem dúvida que acredito que vale a pena.
Espero lê-lo em breve.

Um resumo do que podemos encontrar no livro...


domingo, 16 de fevereiro de 2014


"Hoje, é um bom dia. Olhamos em redor, como cegos que readquiriram a vista, e olhamos uns para os outros. Nunca nos tínhamos visto ao sol: alguém sorri. Se não fosse a fome!
Pois a natureza humana é feita de tal forma, que os sofrimentos e as dores que acontecem ao mesmo tempo não se somam inteiramente na nossa sensibilidade, mas escondem-se, os menores atrás dos maiores, segundo uma lei prospectiva definida. Isto é providencial e permite-nos viver no campo. E é esta também a razão pela qual tantas vezes, na vida livre, se ouve dizer que o homem é insaciável: pelo contrário, mais do que de uma incapacidade humana para um estado de bem-estar absoluto, trata-se de um conhecimento sempre insuficiente da natureza complexa do estado de infelicidade, pelo que às suas causas, que são múltiplas e hierarquicamente dispostas, se dá um único nome: o da causa maior; até que esta venha eventualmente a faltar, e então fica-se dolorosamente surpreendido ao ver que atrás dela existe outra; e na realidade, uma série de outras. Por isso, logo que o frio, que durante todo o Inverno nos parecera o único inimigo, cessou, apercebemo-nos de que tínhamos fome: e, repetindo o mesmo erro, assim hoje dizemos: «Se não fosse a fome!...»
Mas como se poderia pensar em não ter fome? O Lager é fome, nós próprios somos fome, fome viva."

em "Se isto é um homem" de Primo Levi








segunda-feira, 21 de outubro de 2013



Hoje apetece-me só deixar-lhe uma música de que gosto e que não sei porquê faz-me lembrar de princesas que não param até terminarem a sua história. Acho que ela é uma boa personificação disto... Deixei-me ficar apenas embalada por esta música... a imaginar o que lá longe se passa e que direito temos de permanecer parados e quietos sem nada fazer para mudar este futuro que é o nosso também enquanto Humanidade.






Recentemente foi distinguida pela Academia com o seu Award Humanitário, sendo a actriz mais jovem a receber este reconhecimento perante o trabalho que já realizou apesar da sua idade. Conhecida por muitos como uma das mulheres mais sexys do mundo, prova ao mundo que é muito mais do que isso.


 Comecei hoje a ler o diário das suas viagens que se refere ao período em que foi nomeada embaixadora da boa vontade para os refugiados (ACNUR) e é indiscritivel sequer imaginar o que ela descreve com o seu coração e sensibilidade. Sente-se o que lhe tocou a alma e sinto-me inquieta e tocada pela generosidade e simplicidade que coloca nos seus pensamentos.

Leiam e inquietem-se...





segunda-feira, 1 de abril de 2013

"Sinestesia e música"



"Há séculos que os seres humanos procuram uma relação entre música e cor. Newton pensava que o espectro tinha sete cores distintas, correspondentes de alguma forma desconhecida mas simples às sete notas da escala(musical)...


Para um verdadeiro sinesteta (...) pode haver a percepção de letras individuais ou dias da semana como tendo as suas próprias cores específicas; (...este) pode sentir que cada cor tem o seu próprio cheiro particular, ou que cada intervalo musical tem o seu próprio sabor.

De todas as formas diferentes de sinestesia, a sinestesia musical - principalmente efeitos de cor experimentados enquanto ouvimos ou pensamos em música - é uma das mais comuns.



A sinestesia chegou (também) à literatura através do escritor alemão E. T. A. Hoffmann quando descreve um dos seus heróis como, «o homenzinho num casaco cor do Dó sustenido menor com um colarinho da cor do Mi maior». "

Imaginem uma pessoa que...

"quando olha para uma página de livro, tem tendência a vê-lo como um mosailo policromático, as peças coloridas maiores formadas por palavras, as mais pequenas por letras individuais. "

Imaginem um livro a preto e branco... para estas pessoas nenhum livro é a preto e branco porque elas automaticamente as vêem como coloridos. "se por exemplo, uma palavra começar com uma letra «vermelha», a sua vermelhidão pode espalhar-se até envolver toda a palavra."

E o mesmo acontece com peças musicais.  "Quando toca uma escala (musical) ... Vê um «arco-íris» de cores por ordem espectral, cada cor «dissolvendo-se» na seguinte. (há medida que vai deslizando pelas notas)"



"Nos concertos, para mim a orquestra era como um pintor. Inundava-me com todas as cores do arco-íris. Se o violino tocasse sozinho, enchia-me de repente de dourado e fogo, e de um vermelho tão brilhante que não me lembro de alguma vez o ter visto num objecto. Quando foi a vez do oboé, um verde transparente percorreu o meu interior..."



Agora complicações também surgem e embora tudo isto pareça uma grande história... também altera a vida das pessoas afectadas... "Frequentemente troco datas porque sou atraiçoada pela minha sinestesia. 1 é branco, 2 é verde, 3 é amarelo, 7 é azul, e por aí fora. Sexta-feira é uma espécie de castanho avermelhado, quarta-feira é um ovo estrelado em tons de amarelo ... e terça-feira é um azul muito parecido com 7. Então este é o problema: quarta-feira, dia 3, é fácil: dois amarelos. Quarta-feira, dia 7, é um pouco mais difícil porque é amarelo e azul, bem como terça-feira. Assim a minha reunião será na quarta-feira dia 7 ou na terça feira dia 3?"


Isto parece surreal, mas estima-se que cerca de 1 em cada duas mil pessoas tenham sinestesia seja ela de que forma for.. Admito que quando lia isto nem queria acreditar que isto não se trata de nenhuma história, mas antes de vidas reais que parecem histórias da carochinha...

Retirado do livro "Musicofilia" de Oliver Sacks.


quarta-feira, 6 de março de 2013

"Os amigos são mestres do silêncio"



"O silêncio é um instrumento da amizade. Ao que parece,durantes anos, o compositor Jonh Cage sondou a possibilidade de uma obra sem sons, mas impedia-o duas coisas: a dúvida, se uma tarefa assim não estaria, desde logo, votada ao fracasso, porque tudo é som; e a convicção de que uma composição tal seria incompreensível no espaço mental da cultura do Ocidente.(...) em agosto de 1952, estreia a sua peça 4'33". A proposta (...) era completamente insólita: os músicos deviam subir ao palco, saudar o público, sentar-se ao instrumento e permanecer, em silêncio, por quatro minutos e trinta e três segundos, até que, de novo, se levantassem, agradecessem à plateia e saíssem."
em "Nenhum caminho será longo" de José Tolentino Mendonça

quinta-feira, 8 de março de 2012

"Lori tirou-me o desenho das mãos, segurou-o na sua frente e, com um ar pensativo, examinou-o.
- Sabes em que estava a pensar enquanto o fazia?
- O que era?
- Bem, estava a pensar que não era tão bom como uma imagem autêntica. Sabes como é, como uma fotografia. Como uma revista ou algo parecido. E queria mesmo que ficasse perfeito e sem erros.
(...)
- Ah Lor. Não digas isso. É lindo. Melhor do que qualquer fotografia velha.
- Não, não. Não é isso que quero dizer. (...) Mas sabes uma coisa em que estava a pensar, Tor? (...) O que eu estava a pensar era: é perfeito. Não a parte que vemos, mas o que está dentro de nós. Na minha cabeça o pássaro era perfeito.
Virou-se para olhar para mim e esboçou um sorriso.
- E isso para mim é o bastante para gostar deste desenho, mesmo que não seja realmente perfeito. Porque... bem, porque sei que podia ser... - afirmou e, virando-se para mim, perguntou: - Sabes o que quero dizer?
(...)
- És uma sonhadora, Lor.
Olhou-me fixamente, com aqueles olhos escuros e redondos e para além de todos os sorrisos. Não disse nada.
- É bom ser sonhador.

O desenho do pássaro azul nunca foi afixado no nosso jornal de parede. Levei-o comigo para casa. Afixei-o sobre a minha cama para me fazer lembrar, pelo menos duas vezes por dia da beleza num mundo imperfeito. "

em "Os filhos do afecto" de Torey Hayden

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Sobre o luto...

(ou sobre os vários tipos, que no fim são quase todos iguais, só mudando a razão da saudade....)

"Como é que se Esquece Alguém que se Ama?Como é que se esquece alguém que se ama? Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar? Quando alguém morre, quando alguém se separa - como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está? 
As pessoas têm de morrer; os amores de acabar. As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar Sim, mas como se faz? Como se esquece? Devagar. É preciso esquecer devagar. Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem pôr-se processos e acções de despejo a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus, entrar nas maiores peixeiradas, mas não se podem despejar de repente. Elas não saem de lá. Estúpidas! É preciso aguentar. Já ninguém está para isso, mas é preciso aguentar. A primeira parte de qualquer cura é aceitar-se que se está doente. É preciso paciência. O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada. Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou do coração. Ninguém aguenta estar triste. Ninguém aguenta estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos. Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se. Não se pode esquecer alguem antes de terminar de lembrá-lo. Quem procura evitar o luto, prolonga-o no tempo e desonra-o na alma. A saudade é uma dor que pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada. É uma dor que é preciso aceitar, primeiro, aceitar. 
É preciso aceitar esta mágoa esta moinha, que nos despedaça o coração e que nos mói mesmo e que nos dá cabo do juízo. É preciso aceitar o amor e a morte, a separação e a tristeza, a falta de lógica, a falta de justiça, a falta de solução. Quantos problemas do mundo seriam menos pesados se tivessem apenas o peso que têm em si , isto é, se os livrássemos da carga que lhes damos, aceitando que não têm solução. 
Não adianta fugir com o rabo à seringa. Muitas vezes nem há seringa. Nem injecção. Nem remédio. Nem conhecimento certo da doença de que se padece. Muitas vezes só existe a agulha. 
Dizem-nos, para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo à nossa espera. Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado. 
O esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar. Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar. "

Miguel Esteves Cardoso, in 'Último Volume'

sábado, 23 de julho de 2011

Faz-nos trilhar, Senhor, a estrada da Confiança. 
Dá-nos um coração capaz de amar serenamente 
aquilo que somos ou que não somos, 
aquilo com que sonhámos ou as coisas que não escolhemos e que, 
contudo, fazem parte da nossa vida.

Ensina-nos a devolver a todos os Teus filhos 
e a todas as criaturas a extraordinária Bondade com que nos amas. 
Não permitas que o nosso espírito se feche no medo ou no ressentimento: 
ensina-nos que é possível olhar a noite 
não para dizer que pesa em todo o lugar o escuro, 
mas que a qualquer momento uma Luz se levantará.

Dá-nos ousadia de criar e recriar continuamente 
mesmo partindo daquilo que não é ideal, nem perfeito.
E quando nos sentirmos mais frágeis ou sobrecarregados recebamos, 
com igual confiança, a nossa vida como um Dom 
e cada dia como um dia de Deus.

José Tolentino Mendonça
In Um Deus que dança - Itinerários para a oração, ed. Secretariado Nacional do Apostolado da Oração


sexta-feira, 10 de junho de 2011

"O Dono do mundo"

" (...)
Na montra de uma papelaria estava um pequeno globo terrestre. Pouco maior era do que a palma da mão, mas tem os continentes bem marcados, bem separados pelas águas que não se levantem dúvidas.
(...)

Cidade fora com o mundo no bolso. Da próxima vez que dissessem: «Amérika!Amérika» iam ver.
(...)
Das outras vezes não valia a pena argumentar. Jornalista, branco, a falar inglês, é americano! É espantoso como se consegue dividir e simplificar a sociedade. Nós e os outros. O bem e o mal. A noite e o dia. O preto e o branco e a quantidade de luz e cor que se perde nesta paleta social.
(...)
Um dia mais tarde, numa pequena escola corânica, o Mullah, (...) líder religioso daquela comunidade, inquiria-nos sobre a nossa pátria. Devia ter a nossa idade, ou lá perto. (...) Ouvia-nos com um sorriso nos lábios, mas o rosto abriu-se quando viu o globo. Aquele homem, o homem mais culto do seu lugar, nunca tinha visto a Terra assim representada. (...)
Cansado de ensinar e descodificar versículos, o mestre passava a aluno. (...)
Tinha encontrado um novo amor: a paixão e a curiosidade pelo saber."

Lisboa, 10 de Junho de 2010
José Carlos Ramalho - RTP
do livro "Câmara de reflexão - Uma imagem, mil palavras"


O que somos?... portugueses!
É mais do que "Nós e os outros" - porque se perde luz quando o fazemos...

Ainda neste século, há quem "nunca tinha visto a Terra assim representada." É assustador quando percebemos os degraus que ainda existem...
E ás vezes nem percebemos bem o que é ser português, europeu... Isso só por si já faz tanta diferença... É como se já nascêssemos num outro degrau, que tantas vezes damos como bem adquirido, mas que é bem mais que isso...

Lembro-me de lá longe, depois de horas de viagem de avião me perguntarem com a simplicidade de um sorriso se tinha ido de comboio.. Como se viesse dali do lado... :P

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Bom ou mau? Não sei mesmo! :P


“- ... Eu diria que uma coisa é boa quando gosto dela, quando faz com que me sinta bem ou me dá um sentimento de segurança. Por outro lado, diria que uma coisa é má se me causa dor ou sacrifica algo que eu quero.
- Então é bastante subjectivo?
- Acho que sim.
- E até que ponto confias na tua capacidade de discernir o que realmente é bom e o que é mau para ti?
...
- ... és tu quem determina o que é bom e o que é mau. Tornas-te o juiz. E para tornar as coisas ainda mais confusas, aquilo que defines como bom acaba por se alterar com o tempo e consoante as circunstâncias. E, para tornar as coisas piores, há biliões de seres humanos, cada qual determinando o que é bom e o que é mau. Assim, quando o teu bom e o teu mau colidem com os do teu vizinho, desencadeiam-se brigas, discussões e até guerras.
(...)
- Tens de abdicar do teu direito de decidir o que é bom e mau e escolher viver apenas em mim (Deus). É um osso duro de roer. Para isso, tens de me conhecer o suficiente, ao ponto de confiares em mim e aprenderes a entregar-te à minha bondade.”

“- ... Tenho estado a falar contigo há muito tempo, mas hoje foi a primeira vez que conseguiste ouvir; no entanto, não penses que as outras ocasiões foram um desperdicio. Como pequenas fendas numa parede, uma de cada vez, mas entrelaçadas, elas prepararam-te para hoje. É preciso algum tempo para preparar o solo, se quisermos que ele acolha a semente.
- Não sei porque resistimos a isso, por que resistimos tanto a Ti. Agora, parece uma estupidez.
- Tudo tem a ver com um momento de graciosidade,  Mack. Se o Universo só tivesse um ser humano, a noção de tempo seria bastante simples. Mas basta acrescentarmos apenas mais um e... bem, já conhces a história. Cada escolha cria repercussões ao longo do tempo e dos relacionamentos, afastando-se de outras escolhas. E, a partir do que parece ser uma enorme confusão, Papá tece um tapete magnífico. Só Papá pode resolver isto tudo; e fá-lo com graciosidade.”

em "A cabana"
De WM. PAUL YOUNG



Deixou-me a pensar. E muito!...


sábado, 20 de março de 2010

Morte 4 : é preciso aceitar...




“A possibllidade da morte, é um dado tão absoluto na minha vida, como se a morte, por assim dizer, a tivesse ampliado tanto que o enfrentar e aceitar a morte, a destruição, qualquer espécie de destruição, passou a fazer parte desta vida...

Devido à rejeição e a todos os receios, à maioria das pessoas resta somente um pedaço de vida miserável e mutilado a que dificilmente se pode chamar vida...

Este é o meu primeiro confronto com a morte.
Nunca soube bem como lidar com ela.
Ainda sou muito virgem neste assunto.
Nunca vi um morto ainda. Imagine-se...

E já houve ocasiões em que me interroguei: qual é a minha verdadeira posição perante a morte? Mas nunca me embrenhei no assunto, ainda não era tempo para isso.

E agora ali está a morte, por inteiro e pela primeira vez. Contudo é como se fosse uma velha conhecida que faz parte da vida e que é preciso aceitar... “
Etty Hillesum - Diário

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Etty Hillesum - Diário 1941-1943


Um livro que sem dúvida me marcou. Talvez por saber que é um testemunho real. E pelo tema também ser algo que me diz muito. Bem, foi um livro que mudou muita coisa. Acho que o mais engraçado foi... Eu não estou nada habituada a marcar os livros. Neste foi precisamente ao contrário, foi só ver crescer post-its espalhados pelas folhas fora. Cerca de 20 pelo menos. De tal maneira que até me perguntaram quem me viu com o livro se ele era assim tão bom. Porque ainda para mais, era alguém que me conhecia e percebeu que não era de todo normal isto em mim. :)


Mas realmente, o livro é um testemunho de vida que nos deixa estupidificados. (bem lá estou eu a inventar uma palavra :P).


Claro que em situações limite é quando os seres humanos se conhecem melhor e tendo em conta que se tratava de uma judia, na altura da Segunda Guerra Mundial, era certamente uma situação limite por excelência. Mas neste caso foi mais que isso... a Etty teve um crescimento marcável ao longo de todo o livro. Espero sinceramente ter aprendido alguma coisa com a sua vida. Porque desde a fé que nela vai crescendo, até à visão da vida que vive e que a rodeia, ela é simplesmente exemplar.

“O viver e o morrer, o sofrimento e a alegria, as bolhas nos meus pés gastos e o jasmim atrás do quintal, as perseguições, as incontáveis violências gratuitas, tudo e tudo em mim é como se fosse uma forte unidade, e eu aceito tudo como uma unidade e começo a entender cada vez melhor, espontaneamente para mim, sem que ainda o consiga explicar a alguém, como é que as coisas são, gostava de viver longamente para no fim, mais tarde, conseguir explicar, e se isso não me for dado, pois bem, nesse caso uma outra pessoa irá fazê-lo e então um outro continuará a viver a minha vida, ali onde a minha foi interrompida, e por isso tenho de viver a minha vida tão bem e tão completa e convincentemente quanto possível até ao meu derradeiro suspiro, para que o que vem a seguir a mim não precise de começar de novo nem tenha as mesmas dificuldades.”

Por fim, há medida que me ia aproximando do fim do livro, ia ficando com pena de estar a acabar. Não só porque me aproximava do fim de tudo o que tinha sido escrito por Etty, mas também porque significava que mais próxima do campo de concentração Etty se encontrava. No entanto, alegrava-me ao mesmo tempo, porque ela viveu mais em dois anos de vida, que muita gente vive em toda uma vida. E isso só pode ser uma grande mensagem de esperança para cada um.

Alguns post’s com excertos do livro já andam aqui pelo blog. Mas mais virão...

Em seguida deixo os links para um blog que tem vários excertos diferentes dos que colocarei aqui e que mostram o seu crescimento interior.

Parte 1 


Parte 2  


Parte 3


Parte 4  


Parte 5





E apesar de toda esta quantidade que foi transcrita, acreditem o livro tem muuuuuito mais. Vale mesmo a pena ler!

Arquivo

Mensagens populares

Seguidores