Caminhos de passos seguros e calmos.
Com cada passo sinto o pó que se levanta.
A textura do chão na palma do pé e os pequenos grãos de terra que me saltam para o sapato e os trago comigo. Marcas do caminho que vou fazendo.
Saborear o deixar pegadas que mostram o que moldamos no caminho que percorremos e a textura de nós que deixamos.
Fazendo com que os novos grãos que trazemos, também pelo caminho os deixemos, mas agora numa mistura com novos grãos de terra que assim se encontram em novos caminhos.
segunda-feira, 10 de junho de 2013
quarta-feira, 5 de junho de 2013
"Passei toda a noite, sem dormir, vendo, sem espaço, a figura dela,
e vendo-a sempre de maneiras diferentes do que a encontro a ela.Faço pensamentos com a recordação do que ela é quando me fala,
e em cada pensamento ela varia de acordo com a sua semelhança.
Amar é pensar.
E eu quase que me esqueço de sentir só de pensar nela.
Não sei bem o que quero, mesmo dela, e eu não penso senão nela.
Tenho uma grande distracção animada.
Quando desejo encontrá-la
Quase que prefiro não a encontrar,
para não ter que a deixar depois.
Não sei bem o que quero, nem quero saber o que quero.
Quero só pensar nela.
Não peço nada a ninguém, nem a ela, senão pensar."
de "Eu só penso no sol - Poesia de Alberto Caeiro"
domingo, 12 de maio de 2013
rasto de luz
Abriste a mão e deixaste-me ir.
Forcei-te a abri-la e forcei-me a voar, por saber o céu azul que me esperava,
Abriste-a e abriste-me o mundo. E eu voei, em primeiro num voo de fuga e depois num voo pleno de asas abertas e coração cheio.
E deixo-me agora planar nesse sentimento de pertença a um céu que me deixa ser e ir… Sem limites, sem fronteiras e sem quartos escuros.
Para ti sou o bicho-da-seda, para mim sou borboleta de cores de fogo. Que a cada bater de asas espalha um rasto de luz que ilumina o meu caminho, para que me possas seguir.
Forcei-te a abri-la e forcei-me a voar, por saber o céu azul que me esperava,
Abriste-a e abriste-me o mundo. E eu voei, em primeiro num voo de fuga e depois num voo pleno de asas abertas e coração cheio.
E deixo-me agora planar nesse sentimento de pertença a um céu que me deixa ser e ir… Sem limites, sem fronteiras e sem quartos escuros.
Para ti sou o bicho-da-seda, para mim sou borboleta de cores de fogo. Que a cada bater de asas espalha um rasto de luz que ilumina o meu caminho, para que me possas seguir.
segunda-feira, 1 de abril de 2013
"Sinestesia e música"
"Há séculos que os seres humanos procuram uma relação entre música e cor. Newton pensava que o espectro tinha sete cores distintas, correspondentes de alguma forma desconhecida mas simples às sete notas da escala(musical)...
Para um verdadeiro sinesteta (...) pode haver a percepção de letras individuais ou dias da semana como tendo as suas próprias cores específicas; (...este) pode sentir que cada cor tem o seu próprio cheiro particular, ou que cada intervalo musical tem o seu próprio sabor.
De todas as formas diferentes de sinestesia, a sinestesia musical -
principalmente efeitos de cor experimentados enquanto ouvimos ou
pensamos em música - é uma das mais comuns.
A sinestesia chegou (também) à literatura através do escritor alemão E. T. A. Hoffmann quando descreve um dos seus heróis como, «o homenzinho num casaco cor do Dó sustenido menor com um colarinho da cor do Mi maior». "
Imaginem uma pessoa que...
"quando olha para uma página de livro, tem tendência a vê-lo como um mosailo policromático, as peças coloridas maiores formadas por palavras, as mais pequenas por letras individuais. "
Imaginem um livro a preto e branco... para estas pessoas nenhum livro é a preto e branco porque elas automaticamente as vêem como coloridos. "se por exemplo, uma palavra começar com uma letra «vermelha», a sua vermelhidão pode espalhar-se até envolver toda a palavra."
E o mesmo acontece com peças musicais. "Quando toca uma escala (musical) ... Vê um «arco-íris» de cores por ordem espectral, cada cor «dissolvendo-se» na seguinte. (há medida que vai deslizando pelas notas)"
"Nos concertos, para mim a orquestra era como um pintor. Inundava-me com todas as cores do arco-íris. Se o violino tocasse sozinho, enchia-me de repente de dourado e fogo, e de um vermelho tão brilhante que não me lembro de alguma vez o ter visto num objecto. Quando foi a vez do oboé, um verde transparente percorreu o meu interior..."
Agora complicações também surgem e embora tudo isto pareça uma grande história... também altera a vida das pessoas afectadas... "Frequentemente troco datas porque sou atraiçoada pela minha sinestesia. 1 é branco, 2 é verde, 3 é amarelo, 7 é azul, e por aí fora. Sexta-feira é uma espécie de castanho avermelhado, quarta-feira é um ovo estrelado em tons de amarelo ... e terça-feira é um azul muito parecido com 7. Então este é o problema: quarta-feira, dia 3, é fácil: dois amarelos. Quarta-feira, dia 7, é um pouco mais difícil porque é amarelo e azul, bem como terça-feira. Assim a minha reunião será na quarta-feira dia 7 ou na terça feira dia 3?"
Isto parece surreal, mas estima-se que cerca de 1 em cada duas mil pessoas tenham sinestesia seja ela de que forma for.. Admito que quando lia isto nem queria acreditar que isto não se trata de nenhuma história, mas antes de vidas reais que parecem histórias da carochinha...
Retirado do livro "Musicofilia" de Oliver Sacks.
quinta-feira, 21 de março de 2013
"Palavras repetidas"
A Terra tá soterrada de violência
De guerra, de sofrimento, de desespero
A gente tá vendo tudo, tá vendo a gente
Tá vendo, no nosso espelho, na nossa frente
Tá vendo, na nossa frente, aberração
Tá vendo, tá sendo visto, querendo ou não
Tá vendo, no fim do túnel, escuridão
Tá vendo no fim do túnel escuridão
Tá vendo a nossa morte anunciada
Tá vendo a nossa vida valendo nada
Tô vendo, chovendo sangue no meu jardim
Tá lindo o sol caindo, que nem granada
Tá vindo um carro-bomba na contramão
Tá vindo um carro-bomba na contramão
Tá vindo um carro-bomba na contramão
Tá vindo o suicida na direção
"É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã
Porque se você parar pra pensar, a verdade não há"
A bomba tá explodindo na nossa mão
O medo tá estampado na nossa cara
O erro tá confirmado, tá tudo errado
O jogo dos sete erros, que nunca pára
7, 8, 9, 10... cem
Erros meus, erros seus e de Deus também
Estupidez, um erro simplório
A bola da vez, enterro, velório
Perda total, por todos os lados
Do banco do ônibus ao carro importado
Teu filho morreu? meu filho também
Morreu assaltando, morreu assaltado
Tristeza, saudade, por todos os lados
Tortura covarde, humilha e destrói
Eu vejo um Bin Laden em cada favela
Herói da miséria, vilão exemplar
Tortura covarde, por todos os lados
Tristeza, saudade, humilha e destrói
As balas invadem a minha janela
Eu tava dormindo, tentando sonhar
"É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã
Porque se você parar pra pensar, a verdade não há"
Sou um grão de areia no olho do furacão
Em meio a milhões de grãos
Cada um na sua busca, cada bússola num coração
Cada um lê de uma forma o mesmo ponto de interrogação
Nem sempre se pode ter fé
Quando o chão desaparece embaixo do seu pé
Acreditando na chance de ser feliz
Eterna cicatriz
Eterno aprendiz das escolhas que fiz
Sem amor, eu nada seria
Ainda que eu falasse a língua de todas as etnias
De todas as falanges, e facções
Ainda que eu gritasse o grito de todas as Legiões
Palavras repetidas
Mas quais são as palavras que eu mais quero repetir na vida?
Felicidade, Paz, Fé...
Felicidade, Paz, Sorte
Nem sempre se pode ter Fé, mas nem sempre
A fraqueza que se sente quer dizer que a gente não é forte.
Gabriel o Pensador
quarta-feira, 20 de março de 2013
E bem hoje começa a primavera e ironicamente celebra-se um mês que foi a minha cirurgia. Espero que isso seja um bom presságio...
quarta-feira, 6 de março de 2013
"Os amigos são mestres do silêncio"
"O silêncio é um instrumento da amizade. Ao que parece,durantes anos, o compositor Jonh Cage sondou a possibilidade de uma obra sem sons, mas impedia-o duas coisas: a dúvida, se uma tarefa assim não estaria, desde logo, votada ao fracasso, porque tudo é som; e a convicção de que uma composição tal seria incompreensível no espaço mental da cultura do Ocidente.(...) em agosto de 1952, estreia a sua peça 4'33". A proposta (...) era completamente insólita: os músicos deviam subir ao palco, saudar o público, sentar-se ao instrumento e permanecer, em silêncio, por quatro minutos e trinta e três segundos, até que, de novo, se levantassem, agradecessem à plateia e saíssem."
em "Nenhum caminho será longo" de José Tolentino Mendonça
sexta-feira, 1 de março de 2013
É mais fácil ser bonito a preto e branco do que a cores
Curioso… em fotografia ou
em moda há esta definição: é mais fácil trabalhar o brilho de uma foto a preto e
branco do que a cores.
As cores dispersam-nos da
imagem e da sua beleza essencial.
Também com as nossas
memórias e sonhos acontece assim, tudo parece mais bonito, tudo parece mais
perfeito… quando a preto e branco, quando não vivido e apenas imaginado.
E no entanto, as cores
devolvem-nos a perfeição de darmos cor a tudo o que a preto e branco desenhamos,
de vivermos o desafio da cor, do presente. Daquilo que depois de vivido se
tornará preto e branco novamente.
Apesar de achar o preto e
branco bastante charmoso, acho que prefiro o lado pragmático das cores. Mas
acho que vale a pena continuarmos a viver a cores e a sonhar a preto e branco
para percebermos a diferença. Porque às vezes a diferença entre o sonho e a
realidade é apenas a cor que nela colocamos ou deixamos de lado…
Dedicado à Little Miss Sunshine
(afinal de contas a luz monocromática do sol,
não é mais que um arco-íris compactado)
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
"Nos
anos 70, Marina Abramovic viveu uma intensa história de amor com Ulay.
Durante 5 anos viveram num furgão realizando todo tipo de performances.
Quando sentiram que a relação já não valia aos dois, decidiram percorrer
a Grande Muralha da China; cada um começou a caminhar de um lado, para
se encontrarem no meio, dar um último grande abraço um no outro, e nunca
mais se ver.
23 anos depois, em 2010, quando Marina já era uma artista consagrada, o MoMa de Nova Iorque dedicou uma retrospectiva a sua obra. Nessa retrospectiva, Marina compartilhava um minuto de silêncio com cada estranho que sentasse a sua frente. Ulay chegou sem que ela soubesse e... Foi assim."
(Traduzido por Rodrigo Robleño)
23 anos depois, em 2010, quando Marina já era uma artista consagrada, o MoMa de Nova Iorque dedicou uma retrospectiva a sua obra. Nessa retrospectiva, Marina compartilhava um minuto de silêncio com cada estranho que sentasse a sua frente. Ulay chegou sem que ela soubesse e... Foi assim."
(Traduzido por Rodrigo Robleño)
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terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
first, second, third, fourth, fifth, sixth...
e são estes os passos portanto...
soa-me bem esta música e soa-me bem esta letra.. e é assim que nos vamos separando, é assim que nos vamos afastando é assim que "vamos largando o que é em vão..." devagar, mas com um bom feeling, de que o que lá vem é melhor... porque é a isso que estamos destinados...
domingo, 27 de janeiro de 2013
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
terça-feira, 1 de janeiro de 2013
Eu bem que digo.. que há pessoas que sabem sentir as coisas, ou neste caso as outras pessoas...
uma boa descrição da minha casa de sonho...
"devias morar ali! e ter uma varanda virada para o Mondego, uma mesa bonita e um banco almofadado e muito castiço, devias então convidar-me e preparavas um chá quente Lucia Lima num dia em que o Mondego rompia num dia de neblina e ouvias o rio a seguir a sua marcha natural rumo à foz."
Mal tu sabias que ainda ontem descrevia a minha casa de sonho como uma casa de grandes vidraças e virada para um rio...
sábado, 8 de dezembro de 2012
Começar por fazer play no video (meras instruções... )
Imagino a tua mão dada à minha,
os teus beijos no meu cabelo,
o meu sorriso despregado
e o meu olhar brilhante de ternura.
Mas... sinto ainda este sangue que me foge, esta ferida que não sara.
Acho que posso dizer que tenho o coração esmurrado...
Mas já decidi, vou pôr-lhe um pouco de brilhantina.
Aí sim, imagino-o a olhar-se ao espelho, a sorrir e a dizer...
- "Chico fininho, uuuh!"
E pronto... sai à rua e apresenta-se ao teu.
Imagino a tua mão dada à minha,
os teus beijos no meu cabelo,
o meu sorriso despregado
e o meu olhar brilhante de ternura.
Mas... sinto ainda este sangue que me foge, esta ferida que não sara.
Acho que posso dizer que tenho o coração esmurrado...
Mas já decidi, vou pôr-lhe um pouco de brilhantina.
Aí sim, imagino-o a olhar-se ao espelho, a sorrir e a dizer...
- "Chico fininho, uuuh!"
E pronto... sai à rua e apresenta-se ao teu.
Consigo ouvir o teu a abanar a cabeça e a dizer:
- Para quê essa farpela toda de sedução?
Acho que deviamos andar mais vezes com uma farpela a condizer connosco.
Assim uma que dissesse: - Sou genuinamente isto!
Poupávamos enganos não?
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
Gostava de te abraçar.
Que me amparasses,
que me deixasses chorar até que a minha alma se iluminasse de novo.
Pura na minha paz e nos meus sonhos de novo.
Estarás mesmo por aí?
Que me amparasses,
que me deixasses chorar até que a minha alma se iluminasse de novo.
Pura na minha paz e nos meus sonhos de novo.
Estarás mesmo por aí?
Hoje não me apetecem discursos optimistas,
hoje não me apetece acreditar...
sábado, 1 de dezembro de 2012
A propósito de concursos revolvi de novo as fotografias que planeio escolher e imprimir, as fotografias que ainda não sei como guardar, as fotografias que sempre me fazem voltar...
Revolver fotografias é sem dúvida revolver memórias e perceber o quanto aprendemos.
Aprendi lá longe que precisamos de muito pouco para saborearmos a felicidade.
Sem electricidade, água canalizada...
Aprendi que só precisamos de ter cá dentro a generosidade de nos sabermos dar.
terça-feira, 27 de novembro de 2012
Se - Sophia de Mello Breyner Andresen
Se tanto me dói que as coisas passem
É porque cada instante em mim foi vivo
Na busca de um bem definitivo
Em que as coisas de Amor se eternizassem
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
Pudesse Eu - Sophia de Mello Breyner Andresen
Pudesse eu não ter laços nem limitesÓ vida de mil faces transbordantesSuspensos na surpresa dos instantesPara poder responder aos teus convites!Sophia de Mello Breyner AndresonPoesia, AntologiaMoraes Editores, 1970
terça-feira, 13 de novembro de 2012
Vagueio agora por esta cidade de escombros, cheia deste vazio sombrio que a solidão tacteia.
Podia dizer que me dói a alma, mas vendi-a.
Vendi-a em nome deste nada que foi tudo.
E assim vou caminhando. Tornando em pó cada ruína que piso e sentindo o vento em nortadas, que de novo trazem o sentir. Nem que seja apenas pelo frio que nos desagasalha.
domingo, 11 de novembro de 2012
Espreitem e saboreiem...
http://minimoajuste.blogspot.pt/2012/10/manuela-de-freitas-antonio-botto-o-mais.html
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