"Como é que sabemos que é a nossa alma que vai para o céu, se o nosso corpo não vai?
É como ver um álbum de fotografias.
Há medida que os anos vão passando, nós vamos ficando mesmo muito diferentes.
Às vezes, nem temos nada a ver com o que éramos, quando éramos pequenos.
Mas continuamos a dizer que somos nós, porque lá dentro somos nós e é isso que interessa."
Os jesuítas acabam de lançar o www.passo-a-rezar.net, uma proposta de oração para quem não vive parado.
Cada dia, são 10 minutos de texto, pistas de oração e música, em formato mp3 para descarregar. Depois, é só levar e rezar no metro, no autocarro, a passear pela rua ou simplesmente sentado à secretária.
Vídeo publicitário:
Eu diria que é um site que vai dar muito que falar... ou será rezar? :)
Ou um dia com sentido... verdadeiramente... comercial?
É dificil haver um dia especial para celebrar o amor entre duas pessoas. Afinal de contas ele deve ser celebrado todos os dias. Acho que é quase como o casamento. Muita gente fala do DIA do seu casamento. “E esse dia é apenas o PRIMEIRO DIA em que duas pessoas se casam. Depois virão muitos outros DIAS em que se voltarão a casar. Dias em que voltarão a prometer e cumprir tudo o que prometeram um dia, perante Deus e a igreja.”
P. Carlos Carneiro s.j.
E neste sentido, acredito no dia dos namorados com um sentido verdadeiro, mas se for um dia para pensar e porque não rezar as promessas que cada namorado tem com a sua namorada e vice versa. Mas para isso não preciso comprar nada, porque o essencial já se tem. O amor.
Mas há vezes em que acabamos por andar um pouco perdidos não?
É que o dia dos namorados então devia ser todos os dias, ou seja todos os meses de cada ano.
Não nos percamos na comercialidade da vida... e do amor!
“ "correio de pablo neruda para mario jiménez", levantando numa das mãos o pacote (...) e na outra uma ansiada carta, o carteiro voou (...) e arrebatou
os dois objectos. fora de si...
- qual abro primeiro, a carta ou o pacote?
- o pacote, filho - sentenciou dona rosa. – na carta só vêm palavras.
- não, senhora. primeiro a carta (...)
Rasgou-o com a paciência e a leveza de uma formiga. com as mãos a tremer, pôs diante dos seus olhos o conteúdo (...)
"que-ri-do ma-rio ji-mé-nez de pés a-lados" (...)
"com saudades abraça-vos o vosso vizinho e alcoviteiro, pablo neruda".
- vamos abrir o pacote - disse dona rosa depois de cortar com a fatídica faca da cozinha os cordéis que o atavam. mario pegou na carta, e pôs-se a observar cuidadosamente o final e depois o reverso.
- não há mais?
- o que mais queria então, meu genro?
- essa coisa com «p s» que se põe ao acabar de escrever.
- não, pois, não tinha nenhum disparate de ps.
- acho estranho que seja tão curta. porque vendo-a assim de longe, parece que é mais comprida. (...) quando me ensinaram a escrever cartas na escola, disseram-me que tinha sempre de se pôr no fim ps e depois juntar qualquer outra coisa que não se tinha dito na carta. tenho a certeza de que don pablo se esqueceu de alguma coisa.
rosa remexeu a abundante palha que enchia o pacote, até que acabou por tirar um (...) gravador «sony» de microfone incorporado. preparava-se para ler um cartão manuscrito a tinta verde, pendurado de um elástico que rodeava o aparelho quando mario lho tirou com um puxão.
- ah, não senhora! você lê com demasiada rapidez. pôs o cartão uns centímetros à sua frente, como se o colocasse numa estante de música, e foi lendo com o seu tradicional estilo soletrado:
"que-ri-do ma-rio dois pon-tos ca-rre-ga o bo-tão do mei-o".
- você demorou mais tempo a ler o cartão que eu a ler a carta - simulou um bocejo a viúva.
- É que você não lê as palavras, mas devora-as, senhora. as palavras temos de saboreá-las. temos de deixá-las desfazerem-se na boca. fez uma espiral com o dedo, e a seguir assestou-o na tecla do meio. a voz de neruda:
"pós-scrito".
pós-scrito! eu bem disse que não podia haver uma carta sem pós-scrito. o poeta não se esqueceu de mim. eu bem sabia que a primeira carta da minha vida havia de vir com pós-scrito. agora está tudo claro, sograzinha. a carta e o pós-scrito.
fez voltar atrás a fita, carregou a tecla indicada e aí estava outra vez a pequena caixa com o poeta lá dentro. um neruda sonoro e portátil.
- "pós-scrito" - ouviu outra vez embevecido. "queria mandar-te mais alguma coisa além das palavras. por isso meti a minha voz nesta gaiola que canta. uma gaiola que é um pássaro. ofereço-ta. Mas também quero pedir-te uma coisa, mario, que só tu podes fazer. os outros meus amigos todos ou não
saberiam o que fazer, ou pensariam que sou um velho gagá e ridículo. quero que vás com este gravador passear pela ilha negra, e me graves todos os sons e ruídos que fores encontrando. Preciso desesperadamente nem que seja do fantasma da minha casa. a minha saúde não anda bem. falta-me o mar. faltam-me os pássaros. manda-me os sons da minha casa. vai ao jardim e deixa tocar os sinos. Primeiro grava esse repicar fininho dos sininhos pequenos quando os agita o vento, e a seguir puxa a corda do sino maior, cinco, seis vezes. sinos, meus sinos! não há nada que soe tanto como a palavra sino, se a ouvimos de um campanário junto do mar. e vai até às rochas, e grava-me a rebentação das ondas. e se ouvires gaivotas, grava-as. e se ouvires o silêncio das estrelas siderais, grava-o. paris é bonita, mas é um fato que me fica demasiado largo. além disso aqui é inverno, e o vento revolve a neve como um moinho de farinha. a neve sobe e sobe, trepa-me pela pele acima. faz de mim um triste rei com a sua túnica branca. já chega à minha boca, já me tapa os lábios, já não me saem as palavras"."
em "O carteiro de pablo neruda" de Antonio Skármeta
Um livro que sem dúvida me marcou. Talvez por saber que é um testemunho real. E pelo tema também ser algo que me diz muito. Bem, foi um livro que mudou muita coisa. Acho que o mais engraçado foi... Eu não estou nada habituada a marcar os livros. Neste foi precisamente ao contrário, foi só ver crescer post-its espalhados pelas folhas fora. Cerca de 20 pelo menos. De tal maneira que até me perguntaram quem me viu com o livro se ele era assim tão bom. Porque ainda para mais, era alguém que me conhecia e percebeu que não era de todo normal isto em mim. :)
Mas realmente, o livro é um testemunho de vida que nos deixa estupidificados. (bem lá estou eu a inventar uma palavra :P).
Claro que em situações limite é quando os seres humanos se conhecem melhor e tendo em conta que se tratava de uma judia, na altura da Segunda Guerra Mundial, era certamente uma situação limite por excelência. Mas neste caso foi mais que isso... a Etty teve um crescimento marcável ao longo de todo o livro. Espero sinceramente ter aprendido alguma coisa com a sua vida. Porque desde a fé que nela vai crescendo, até à visão da vida que vive e que a rodeia, ela é simplesmente exemplar.
“O viver e o morrer, o sofrimento e a alegria, as bolhas nos meus pés gastos e o jasmim atrás do quintal, as perseguições, as incontáveis violências gratuitas, tudo e tudo em mim é como se fosse uma forte unidade, e eu aceito tudo como uma unidadee começo a entender cada vez melhor, espontaneamente para mim, sem que ainda o consiga explicar a alguém, como é que as coisas são,gostava de viver longamente para no fim, mais tarde, conseguir explicar, e se isso não me for dado, pois bem, nesse caso uma outra pessoa irá fazê-lo e então um outro continuará a viver a minha vida, ali onde a minha foi interrompida, e por isso tenho de viver a minha vida tão bem e tão completa e convincentemente quanto possível até ao meu derradeiro suspiro, para que o que vem a seguir a mim não precise de começar de novo nem tenha as mesmas dificuldades.”
Por fim, há medida que me ia aproximando do fim do livro, ia ficando com pena de estar a acabar. Não só porque me aproximava do fim de tudo o que tinha sido escrito por Etty, mas também porque significava que mais próxima do campo de concentração Etty se encontrava. No entanto, alegrava-me ao mesmo tempo, porque ela viveu mais em dois anos de vida, que muita gente vive em toda uma vida. E isso só pode ser uma grande mensagem de esperança para cada um.
Alguns post’s com excertos do livro já andam aqui pelo blog. Mas mais virão...
Em seguida deixo os links para um blog que tem vários excertos diferentes dos que colocarei aqui e que mostram o seu crescimento interior.
“De repente fiquei a saber: é assim que eu quero escrever. Com um espaço imenso à volta das palavras. Detesto muitas palavras. Quereria escrever somente palavras organicamente inseridas num grande silêncio, daquelas cuja única utilidade é dominar o silêncio e rasgá-lo.
Na realidade as palavras devem acentuar o silêncio... Detesto uma acumulação de palavras.
Na realidade pode usar-se poucas palavras para nomear as grandes coisas que importam na vida. Se algum dia chegar a escrever – o quê, sinceramente? – gostaria então de pincelar algumas palavras sobre um fundo mudo. E há-de ser mais dificil de reproduzir e animar esse silêncio e essa mudez do que achar as palavras.
O importante será a relação justa entre palavras e silêncio, um silêncio no qual acontece mais do que em todas as palavras que uma pessoa consiga reunir... Não se trata de um silêncio vago e inantigivel, esse silêncio terá também de ter os seus próprios contornos definidos e a sua própria forma.
E, por conseguinte, as palavras deveriam servir somente para dar forma e delineação ao silêncio.”
Bem não sei se é coincidência se não, mas encontrei um filme que me fez lembrar de uma música portuguesa recente, que parece exactamente que foi feita para descrever o filme que deixo de seguida.
Então o que proponho é...
Colocar este filme do youtube a tocar... E passar ao seguinte filme. Este é só para ouvir a música...
Colocar este também a rodar... e tirar o som senão as músicas ficam sobrepostas. :)
"Longe daqui,
Tens um segredo guardado,
Para abrir,
Num lugar mais desejado,
Num lugar onde possas saber,
Que por ser segredo não podes dizer;
Serás tu a sombra que olhas no chão,
Serás a promessa que trazes na mão,
De que serve o teu disfarce e o teu secreto olhar,
Se não tens ninguém a quem te revelar,
Serás o silêncio ou um sonho desfeito,
Será teu o grito que arrancas do peito,
De que vale teres a Lua e o Céu inteiro para voar,
Se não tens ninguém a quem te poder dar;
Fixaste o teu olhar no meu,
Ficaste longe daqui,
Tu estás longe de ti,
Tão longe de nós,
Podes parar de saltar,
Noutro lugar"
Tem tudo a ver ou não?... Eu acho que sim!!
O post do blog onde encontrei o filme aqui fica também, porque a mensagem que tem, diz mesmo muito...
Porque a música está mesmo em toda a nossa vida...
Nos altos e baixos...
Pode fazer-nos ficar lá no cimo, quando estamos mesmo em baixo...
Ou pode até deixar-nos um pouco tristes ás vezes...
"Sobem e descem todos os dias as colinas de Lisboa mas, a partir de hoje, estas viagens rotineiras tornaram-se mais interessantes porque quatro elevadores da Carris receberam intervenções desafiadoras de artistas portugueses.
Até 30 de Junho deste ano, quatro equipamentos emblemáticos de transporte de passageiros na cidade vão mostrar aos lisboetas e turistas intervenções de vários artistas:
- Ascensor da Bica,
A intervenção do artista Alexandre Farto (nascido em 1987, em Lisboa) no Ascensor da Bica, intitulada "Espectro", consiste no revestimento das duas cabines com uma película reflectora que irá, como um espelho, "reflectir a realidade circundante, sejam pessoas, casas e tudo o que acontece".
- Ascensor do Lavra,
Vasco Araújo (nascido em 1975, em Lisboa), instalou o seu projecto intitulado "A Viagem", através de placas com frases de Fernando Pessoa e do próprio artista coladas nos bancos do elevador. "É um trabalho profundo e intimista que interpela os passageiros, convidando-os a pensar"
- Ascensor da Glória
Susana Anágua (nascida em 1976, em Torres Vedras) criou uma proposta artística para o Ascensor da Glória que tem a ver com "o equilíbrio de forças, e a mecanicidade do equipamento", tendo-a intitulado "IN.TER.SEC.ÇÃO". Pintou com tinta fluorescente no chão, exactamente onde os ascensores se cruzam, e fixou focos de luz que são ligados quando as máquinas se ladeiam, iluminando os dois e a tinta colocada no pavimento.
A artista pretende “registar a experiência de encontros e desencontros que todos já experienciámos nos elevadores”. (e na vida digo eu :))
- Elevador de Santa Justa
Susana Mendes Silva (nascida em 1972, em Lisboa), vai convidar as pessoas a interagir através de um texto em várias línguas - colocado nos vidros do interior da cabine - que remete para um blogue na internet (http://santa-justa.blogspot.com/.) onde poderão deixar as memórias pessoais sobre a utilização daquele equipamento."
"O objectivo do desafio lançado aos quatro artistas é
"estabelecer uma ponte entre um passado de histórias e vivências com o presente e o futuro",
levando os passageiros a redescobrir estes históricos elevadores lisboetas, classificados como Património Nacional, explicou Lourenço Lucena, comissário da iniciativa.
Lourenço Lucena recordou que a Carris desenvolveu um projecto semelhante nos anos 80 com intervenções dos artistas Eduardo Nery, Calvé e José de Guimarães em autocarros de dois andares."
Acho estas iniciativas extremamente importantes. É importante que a arte saia à rua, que venha ao encontro das pessoas. Para que assim deixe um bichinho e para a próxima sejam as pessoas a ir ter com a arte.
A mim só me falta mesmo... Ver ao vivo toda esta obra de arte!! :) Porque sim, eu gosto de me encontrar com a arte. E gosto ainda mais quando ela me apanha desprevenida.
Que o ano que agora começa seja igual ao anterior. Ás vezes, para não dizer muitas vezes, pedimos que o ano que se segue seja no mínimo tão bom como o que passou. Eu porém peço que ele seja apenas igual...
Mas isso não significa que não seja ambiciosa, claro que sou. Mas acho que o ano que passou já foi mesmo bom. E pedir ainda mais talvez fosse até injusto.
Senão vejamos:
Amigos juntem-se a mim e vejam se se revêm em alguma destas situações ;)
- Amigos que se põem ao meu ouvido a cantar uma qualquer música que gosto mesmo muito, são lembranças que gosto de guardar.
- Amigos que só por lhes ter emprestado uns apontamentos para uns belos exames, me aparecem em casa com pãozinho quentinho para o meu pequeno almoço, só porque sim
- Amigos que para este ano, apenas desejam que tenhamos sempre tempo para nos encontrarmos...
Bem o que é que posso pedir mais? OBRIGADA! Apenas posso pedir que se mantenham :)
isto, fora todos os projectos em que andei metida e que claro me fizeram crescer de alguma forma, em alguma coisa.
Assim, desejos de sempre mas sempre com sentimento renovado...
Para o próximo ano, que todos tenham paz, amor, alegria e saúde.
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Desde as músicas mais antigas...
"Think about the generations and they say: We want to make it a better place for our children and our children's children. So that they know it's a better world for them; and think if they can make it a better place."
Existe um lugar no teu coração e eu sei que é amor.
Este lugar poderia ser muito mais resplandecente.
Se realmente tentares, descobrirás que não é preciso chorar.
Neste lugar não existe dor ou tristeza.
Existem caminhos pra chegar lá...
Se te preocupares o suficiente com a vida: cria um pequeno espaço, cria um lugar melhor...
Cura o mundo, torna-o um lugar melhor, pra ti e para mim e para toda a humanidade.
Existem pessoas a morrer!
Se te preocupares o suficiente com a vida, cria um lugar melhor para ti e para mim.
Se quiseres saber porquê,existe um amor que não pode mentir...
O amor é forte,ele apenas se importa com a entrega alegre.
Se tentarmos, veremos nessa felicidade, que não podemos sentir medo ou temor
Paramos de existir e começamos a viver.
Então parece que o amor é suficiente para crescermos.
Então faz um mundo melhor,cria um mundo melhor..
E o sonho em que formos concebidos,revelará um rosto jubiloso...
E o mundo em que certa vez acreditámos, brilhará novamente em graça.
Então porque continuamos a sufocar a vida,a magoar este planeta, a crucificar a alma,embora seja simples de perceber [que] este mundo é divino...sê o brilho de Deus, nós poderemos voar tão alto [e]... No meu coração sinto que todos são meus irmãos.
Às músicas mais recentes...
Bob Sinclair - "What a wonderful world"
"Imagina
Imagina não sentir nenhuma dor
Não sentir qualquer sofrimento ..
Mas sentires-te bem e livre
Imagina-te flutuando no ar
E estás a voar...
E em todos os lugares que olhares existirão pessoas e estarão sorrindo,
As pessoas se amarão umas às outras
Partilhando uns com os outros
Imagina um mundo onde exista
Só a paz, onde não há raiva,
Onde não existe ódio, onde não há guerra,
Imagina um mundo que não tem nada além de amor
nada além de alegria
Este mundo é algo de que precisamos
Imagina!
Imagina um mundo
Sem cor
Toda a gente se respeita
Imagina uma vida sem fim
Todos os dias será um novo começo
Então deixemos a espera."
o sonho continua...
Que neste ano europeu de luta contra a pobreza e exclusão social se torne realidade... Mãos à obra!
Ele avisa antes que vai chegar, o que nos dá tempo de preparar a Sua chegada.
Mas vai chegar «disfarçado» das pessoas que nos rodeiam, no meio da azáfama final das compras e da preparação das festas de Natal.
Assim, vamos estar atentos a todos os que nos cercam, em especial aos nossos pais, filhos e irmãos, e descobrir o que verdadeiramente lhes faz mais falta e o que podemos oferecer que os torne felizes.
Talvez que o nosso melhor presente seja simplesmente «estar presente», a ouvi-lo… e a conversar!"
Associação de Pais dos Alunos do Colégio de São João de Brito
Lisboa – Portugal
2009
Como já dizia o papa Bento XVI:
“Entre os inúmeros dons que compramos e recebemos não esqueçamos o verdadeiro dom: de doarmo-nos mutuamente algo de nós próprios! De doarmo-nos mutuamente o nosso tempo, de abrir o nosso tempo para Deus. Assim desvanece-se a agitação, deste modo brota a alegria, assim se cria a festa.”
Eu já sabia, que tudo o que se escreve na internet está acessível a toda a gente...
Mas não sabia, que havia um projecto, que recolhe frases de blogs espalhados pelo mundo e analisa-os ao nível dos sentimentos que expressam, entre outras coisas...
Se quiserem saber um pouco mais aqui fica, um filme em que uns dos autores do projecto explica em que consiste.
“Reflectir, como bem sabe quem me lê habitualmente, não é o meu forte. Também não será o forte de quem me lê habitualmente, caso contrário não o faria. Cogito moderadamente bem, raciocinio sofrivelmente, mas sou fraco a reflectir – e o caso exige reflexão. Por sorte, o facto de não saber fazer qualquer coisa nunca me impediu de tentar.”
Ao contrário do que ele próprio diz, ainda bem que existe alguém que consegue pensar, para além daquilo que é bombardeado nas notícias. :)
“Gripe: diga A
Mais vasta e perniciosa do que a pandemia de gripe A, talvez só a pandemia de informações sobre a gripe A. Julgo que Esopo escreveu a fábula «Pedro e o Lobo» apenas porque, na Antiguidade, não havia jornais. Se houvesse, estou certo de que teria optado por escrever a fábula «O jornalista e a pandemia».
Que me lembre, esta é a terceira pandemia que o mundo enfrenta com sucesso no espaço de dez anos.
Primeiro, a doença das vacas loucas ia dizimar dois terços da humanidade, e a imprensa publicou artigos que ensinavam a distinguir um bife infectado de um bife escorreito, entrevistas a cientistas, criadores de gado e homens do talho...
Depois, a gripe das aves ia matar mais do que a peste negra. Vários pombos faleceram e algumas gaivotas ficaram estropiadas para sempre, mas a pandemia acabou por nunca se verificar.
Nete momento, vivemos a pandemia suína. Já foi dito que a gripe A é menos perigosa e letal do que a gripe vulgar, mas até agora isso não impediu nenhum jornalista de ir para a porta do hospital contar toda a gente que entra nas urgências a espirrar... Todos os estágios da gripe A terão de ser relatados, e portanto... Será necessário informar que os 73 casos registados no distrito de Setúbal já estão a canja de galinha, ao passo que os 92 casos do distrito de Beja ainda se assoam com uma regularidade apreciável (12 vezes por hora).
É...urgente encontrar melhores nomes para elas. Vacas loucas, gripe das aves e gripe dos porcos, por muito que sejam depois rebaptizadas mais dignamente com as aborrecidas (e, logo, mais honradas) designações BSE, H5N1, H1N1, têm problemas de credibilidade inultrapassáveis. É dificl temer doenças que atacam a bicharada com resfriados e loucura. Qualquer dia aparece o pé de atleta dos texugos, ou o herpes labial da mosca, esses sim verdadeiramente mortíferos e pandémicos – e ninguém acredita.
Acaba por ser inquietante registar que os animais andam, pelos vistos, a conspirar para gerar pandemias... Felizmente, até agora, a bicharada tem evidenciado menos talento para dizimar do que para vender jornais.”
Ricardo Araújo Pereira in “Novas crónicas da boca do inferno”
“Se tivesse que comparar os caminhos de Deus com um qualquer caminho que conheço, o que escolheria?”
Para começar excluiria as auto-estradas, pois nelas raramente temos tempo para olhar à volta, não há cruzamentos, cedências de passagem e nunca somos obrigados a reduzir a velocidade (a não ser que se esteja a passar os 120). Incomoda ter que parar, nem que seja nas portagens, e por isso, tornamo-nos aderentes à via verde. Nestas estradas apenas queremos chegar ao destino e nem aproveitamos o caminho.
Assim, para mim… só há duas opções:
Uma estrada no meio da cidade, porque apesar de também querermos atingir o nosso destino, estamos ou devemos estar atentos às prioridades (às nossas e às dos outros) e ainda porque há CRUZamentos, ou seja, acabamos por nos cruzar mais vezes com a vida de outras pessoas… E logo é diferente, pois na auto-estrada, ou sou eu que passo por um carro ou é o outro carro que passa por mim, não havendo grande atenção de parte a parte, pois não há cedências a fazer. Para além disso, por vezes no meio da cidade ou ficamos presos nas filas de trânsito (que nos fazem obrigatoriamente abrandar ou mesmo parar) ou andamos à roda em rotundas… E porque é importante? Porque também na vida, há vezes em que parece que andamos às voltas e não saímos do lugar e no entanto, é precisamente isso que nos permite escolher melhor qual a direcção a seguir, porque temos tempo para pensar na escolha.
O caminho que ainda não está alcatroado também me parece uma boa opção, porque este irá certamente ter muitos altos e baixos, assemelhando-se em muito com o nosso próprio caminho de vida.
Mas… se é um caminho sem alcatrão, será também sem sinais… sendo necessário, uma bússola ou um mapa, que mesmo não nos indicando um caminho, nos apresenta vários e nos ajuda a escolher… (Acho que conheço alguém que me faz precisamente o mesmo...) Imaginando ainda, que estamos no meio da natureza pura, teremos então o silêncio, que é um companheiro saboroso na hora de tomar o caminho certo.
Os caminhos de Deus, para mim, só podem ser…
De auto-conhecimento,
De paragens,
De cedências,
De silêncio, e
De crescimento…
As estradas de Deus só podem ser o caminho que faça cruzar o caminho da minha vida com os caminhos de tantas outras vidas, para que por meio delas, a minha meta seja valorizada precisamente… pelo meu caminho.