segunda-feira, 26 de abril de 2010

Welcome - Bem vindo - O filme







“Ele quer como todos os outros que desfilam neste posto de policia, alcançar a Inglaterra. Há-de chegar lá, custe o que custar.”
Encontrei o filme por entre umas conferências realizadas em parceria com a Faculdade de Economia de Coimbra. E sinceramente achei que foi uma ideia GENIAL!!! Pois para além de se tratar de cinema grátis, ainda era dado um livro de apoio ao filme, que me permitiu contextualizar a temática do filme nos dias de hoje e perceber o porquê de ter sido premiado pelo Parlamento Europeu. Alguns excertos deixo de seguida, alguns comentários meus também. J

Testemunhos de voluntários
Jean-Claude Lenoir, membro da Salam (organização que ajuda os clandestinos) já conheceu de tudo: termo de identidade e residência, escutas telefónicas, perseguições. “Tornámo-nos mesmo paranóicos”, consta, em dado momento “mudava de percurso, tinha a obsessão, tinha o medo de ser espancado”. Alojou no seu pavilhão um sem número de clandestinos, utilizou mesmo nomes falsos. “Os policias sabem efectivamente que nunca ganhei um só cêntimo. Mas vejam em que estado estão os clandestinos! Quando os nossos filhos julgarem a história, que ideia é que terão de tudo isto?”
A realidade do filme mostra que AINDA HOJE, há uma história mundial que desconheço. Ainda hoje se sofre por ser estrangeiro, ou por se ser diferente do que se diz “normal”. E não apenas por se sentirem marginalizados, mas sim porque muitas vezes pagam os seus sonhos com a própria vida. Sou sincera, que nem sempre consigo ver quais os estragos que advêm, por um lado de tanta discriminação e por outro lado de tanta indiferença. O filme serviu precisamente para eu perceber isso, tendo sido realizado de forma a demonstrar quais as consequências práticas do artigo L 622-1 do código da estada dos estrangeiros em França.
“Qualquer pessoa que, por ajuda directa ou indirecta, tenha facilitado ou tenha tentado facilitar a entrada, a circulação ou a estada irregular de um estrangeiro em França será punida com prisão por um periodo de cinco anos e uma multa de 30 000 euros. Os deputados socialistas defenderam no ano passado despenalização de qualquer ajuda, quando a salvaguarda da vida ou a integridade fisica do estrangeiro estiver em causa, excepto se esta ajuda der lugar a contrapartidas. Assim, não entraria no âmbito da lei “o simples facto de levar no seu veiculo um estrangeiro qualquer que seja o trajecto” (como acontece no filme).
Outro facto com o qual me confrontei no filme e nunca me tinha apercebido antes foi com a morte dos estrangeiros clandestinos. Morrem muitas vezes sem atingirem os seus destinos ou mesmo atingindo, caso não se legalizem acabam por morrer longe das suas familias. Familias que nunca chegam a saber da sua morte.
“Pois conhecemos o número dos que chegam, mas nunca o dos desaparecidos. Morrem quando estão quase a alcançar o fim pelo qual tinham aceitado tantos sofrimentos e privações. Mortos, sem sepultura, sem nome, solitários e mudos na morte.”
E isto tudo aqui na nossa Europa!!!!
Por isto, é importante não baixar os braços e defender também os direitos humanos. Nesta linha se insere uma posição do papa Bento XVI quando afirma: “Convido todos a olharem olhos nos olhos os seus vizinhos e pessoas próximas e a olharem e verem a sua alma, a sua história e a sua vida e dizer para si: é um homem e Deus ama-o como Deus me ama a mim”. “Temos de ir ao  cerne da questão, ao significado e à importância do ser humano”. “
Assim: “Chegar vivo: um milagre. E finalmente contente: uma raridade”
Outra delicia do filme é a ténue ironia que se encontra subjacente à banda sonora do mesmo, pois o filme é francês, mas a banda sonora foi realizada pela orquestra de Roma. Onde está a ironia? Pois bem, é que para além de França também Itália adoptou este tipo de políticas “anti-estrangeiros”.

No entanto, e para acabar em bem. O amor não podia faltar e também ele atravessa todo o filme....
“O amor, valor universal acima de qualquer outro encontra-se simbolizado no anel, que passa de gerações em gerações, que é entregue a Bilal e que é depois entregue a Minar em sinal do amor deste. E se virmos bem é do amor de Bilal e de Simon que fala o filme. Do amor que luta contra tudo e todos...”
Professor da Faculdade de Letras de Coimbra

terça-feira, 13 de abril de 2010

Põe no teu sorriso

segunda-feira, 5 de abril de 2010

"Crónica de muito amor "

Este fim de semana foi (sem dúvida) um dos melhores que vivi até hoje. Uma páscoa sem dúvida diferente. Iamos para ajudar que outros vivenciassem a Páscoa e no meu caso foram mesmo os que nos receberam, que me ajudaram a dar sentido à minha. Deixo agora um post que é um pedacinho de uma crónica de António Lobo Antunes.


Crónica de muito amor

"Há um estar ali que é já tanto. Diz-se sem as palavras e percebe-se que se diz e o que se diz porque o clima, não sei explicar de outra maneira, se torna diferente. Não falamos do que cada um faz: a gente sabe. Do que cada um sente: a gente sabe. Não se fala do sofrimento, não se fala da alegria: a gente conhece. É melhor desta forma. (...) Depois cada um no seu carro, sem mais palavras. Um atrás do outro e, a certa altura, separamo-nos, com um sentimentozito de despedida que custa. Quer dizer não custa assim tanto, custa um bocadinho e passa. Eu vou fazer redacções, ele vai fazer não sei o quê: pouco importa. Importa que durante uns momentos estivemos juntos"               da revista Visão

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Será que o sapo vira principe?



Talvez não seja preciso... ;) ai cocas, cocas!

terça-feira, 30 de março de 2010

Morte 6: Decisões de vida e morte


O senhor é o Deus da vida e a sua glória é que todos vivam.

Livro do deuteronómio
“Coloco hoje diante de ti a vida e o bem, a morte e o mal. Assim, ordeno-te hoje que ames o Senhor teu Deus, que andes nos Seus caminhos, que guardes os Seus mandamentos, preceitos e sentenças. Assim viverás, multiplicar-te-ás e o Senhor teu Deus te abençoará na terra (...). Mas se o teu coração se desviar e não escutares. Se te deixares arrastar e adorares deuses estranhos e os servires, declaro-vos hoje que sem dúvida morrereis, que os vossos dias não se prolongarão na terra na qual ides entrar, passando o Jordão para dela tomar posse. Tomo hoje por testemunhas contra vós o céu e a terra. ponho diante de vos a vida e a morte, a benção e a maldição. Escolhe a vida para viveres tu e a tua descendência a mando do Senhor teu Deus, escutando a sua voz e apegando-te a ele, porque Ele é a tua vida e prolongará os teus dias para habitares na terra que prometeu dar a teus pais.”

“Muitas vezes usamos a expressão: “Não é uma questão de vida ou de morte”. Mas a leitura parece dizer-nos que na vida algumas decisões são mesmo de vida ou de morte e isto diariamente. Senão vejamos, uma escolha traz a morte ao mundo quandoimplica vingança, ódio, subir na vida à custa de outro, ignorar alguém, mentira, disfarce, meias verdades.
As decisões trazem vida quando promovem o bem, ainda que isso implique custos. Quando significam interesse pelos outros, quando dão testemunho da verdade.”
Oração do site “passo-a-rezar” – dia 18 de fevereiro de 2010

E tu?
Queres ser testemunho de vida ou de morte?

terça-feira, 23 de março de 2010

Morte 5: a morte e a lista dos desejos

Filmes a descobrir...

"My life without me" - A minha vida sem mim



"The bucket list"

sábado, 20 de março de 2010

Morte 4 : é preciso aceitar...




“A possibllidade da morte, é um dado tão absoluto na minha vida, como se a morte, por assim dizer, a tivesse ampliado tanto que o enfrentar e aceitar a morte, a destruição, qualquer espécie de destruição, passou a fazer parte desta vida...

Devido à rejeição e a todos os receios, à maioria das pessoas resta somente um pedaço de vida miserável e mutilado a que dificilmente se pode chamar vida...

Este é o meu primeiro confronto com a morte.
Nunca soube bem como lidar com ela.
Ainda sou muito virgem neste assunto.
Nunca vi um morto ainda. Imagine-se...

E já houve ocasiões em que me interroguei: qual é a minha verdadeira posição perante a morte? Mas nunca me embrenhei no assunto, ainda não era tempo para isso.

E agora ali está a morte, por inteiro e pela primeira vez. Contudo é como se fosse uma velha conhecida que faz parte da vida e que é preciso aceitar... “
Etty Hillesum - Diário

sexta-feira, 19 de março de 2010

Morte 3: Morrer antes de nascer

sábado, 13 de março de 2010

Morte 2 : A morte vista pelo profissional de saúde...





Começo este post com palavras do prefácio do livro, que dizem exactamente aquilo que eu acho sobre ele:


“No meu ponto de vista, é tão importante o rosto da medicina descrito neste livro como os grandes progressos cientificos da actualidade. (...)

O livro é um pequeno «Tratado sobre a Humanização da Saúde», sobre a «arte de cuidar», que deveria ser oferecido, pelo menos como «cadeira de opção», a todas as pessoas que se propõem trabalhar no campo da saúde, seja qual for o ramo. (...) As cartas são simples , este livro mais não é do que um pouco de vida observada à lupa.”


E aqui fica também um post sobre a morte. Este tema tão dificl de tratar, e por vezes tão dificil de enfrentar:


“Querido Deus:

Bem hoje não posso sequer dizer-te querido; só Deus!!!... Dói-me a alma de pena pela doença desta criança, pela morte, pelo sofrimento dos seus, por tudo o que temos passado nestes dias.


Não entendo nada. E estou furiosa porque há coisas na vida que me escapam, que não controlo e me desassossegam por completo. Estou muito zangada contigo, com a medicina, com a vida, com tudo…


Na realidade, foi um caso rodeado de ternura de todo o hospital. A criança era maravilhosa, tinha quatro anos de expansiva vitalidade e graça, mas não aguentou a doença, que era muito mais forte do que ela.


Estou zangada, apesar de os pais terem reagido maravilhosamente. Todos estávamos a par do problema, a criança entrara no coração de todos nós, e quando tudo terminou, sentíamo-nos muito unidos. Fomos como que uma grande equipa de salvamento que, desta vez, falhou. (Bem, Senhor, eu meto-me nesta equipa, mas bem sabes que sou apenas mulher das limpezas; mas entre vómitos e limpezas de emergência, ando sempre no meio dela e tenho oportunidade de amar um pouco). Não pude deixar de ir ao funeral e venho encantada por ter conhecido esta família.


Com que fortaleza aceitaram a morte! Celebrámos a vida da criança. Ali, toda a gente falava de carinho, de vida, de ressurreição… Foi do que mais gostei, pois fala-se pouco disso e a verdade é que estou certa de que nos juntaremos todos contigo num abraço comum (…)


Recordaram que tu queres que sejamos felizes e que, por isso, nos ajudas na retaguarda, pondo-nos em contacto com pessoas que nos tornem fácil o sofrimento e o caminho da vida, e que é preciso sermos dessas, sempre atentas a dar uma mãozinha, a adivinhar o que se passa com o outro.


Peço-te Deus, que nesta noite abraces todas essas pessoas, que as ajudes a que sofram poucochinho e que aproveitem a ocasião para se amarem muito umas as outras. (…)


Isto da morte, custa, custa muitíssimo. Enquanto faço limpezas, vejo quanto sofrem os médicos e as enfermeiras quando não podem solucionar os casos, quando alguém não tem remédio. (…)


Entretanto, tu deves andar tranquilo com o teu livro de altas e baixas; mas tens de reconhecer que o mundo anda muito mal. Que me dizes da quantidade de gente que morre no terceiro mundo enquanto nós andamos por aqui a seguir regimes de emagrecimento e a viver cheios de tudo? (…)


Esta noite, quando tiveres de pôr uma cadeira alta à tua mesa redonda para o Paulo comer, já que, com os seus quatro anos, não lhe chega, lembra-te de abraçar com força os seus, para que a sua ausência lhes custe o menos possível.”


E por fim, uma oração por todos os que se encontram envolvidos,
nisto a que chamamos de cuidados paliativos


Querido Deus:

Esta noite estou confusa, admirada, agradecida, dolorida... No piso de oncologia infantil parte-se-me o coração. Hoje quero pôr nas tuas mãos as muitas familias que sofrem a doença de um filho, mas sobretudo os profissionais que as rodeiam, todas essas pessoas que passam tormentos para facilitarem a agonia à criança e aos seus.

A psicóloga do piso esteve a explicar-me como acompanha os doentes terminais, a importância que tem a primeira impressão, a decoração, a atitude daqueles que lhes prestam cuidados, as cores da roupa que usam, as palavras que empregam para falar da doença e para exteriorizar sentimentos. (...)”
Mari Patxi Ayerra in “Querido Deus… - Cartas da Esperanza”

Acho que este é um tema que me diz muito... Talvez porque tenha marcado a minha vida a determinada altura...
Mas acho que ainda tenho muito que pensar sobre isto.  O que é a morte? Como é a morte? O que há para além da morte? Será que nos perdemos depois da morte?  Ou será que já andamos perdidos quando pensamos assim?

Pode ser que vos ajude a pensar sobre isto, assim como há quem me ajude a mim também. ;)



segunda-feira, 8 de março de 2010

Emancipação feminina e O Amor


Porque isto de amores e desamores é mesmo complicado...

Muitas vezes não percebemos porque começam, outras vezes não percebemos porque acabam...

Mas hoje resolvi deixar aqui uns excertos de um livro que li e que me fizeram pensar. Estes textos foram escritos em 1941... Muito tempo não? Mas afinal são intemporais...

Acho que hoje em dia, ainda andamos um bocadinho perdidos do que é mesmo essencial.



 “Ele diz que o amor a todos é mais belo que o amor a uma só pessoa. Porque o amor a uma só pessoa é, na realidade, somente amor a si mesmo.

Ele é um homem maduro de 55 anos e encontra-se no estádio do amor a todos, depois de inicialmente ter amado uma vida inteira muitos alguns. Eu sou uma mulherzinha de 27 anos e também carrego intensamente comigo o amor a toda a humanidade, mas ainda assim pergunto-me se não irei andar sempre à procura de um determinado homem. E pergunto-me até que ponto isso será uma restrição, um limite à mulher... (ainda não estou pronta para a síntese).
... a mulher está sempre à procura do tal homem ao qual pode transmitir todo o seu conhecimento e calor e amor e poder criador. Ela procura o homem e não a humanidade.

Não é lá muito simples, essa questão feminina. Às vezes, quando vou na rua e vejo uma mulher bonita, cuidada, completamente feminina, um pouco pateta, fico vacilante. Então sinto o meu cérebro, as minhas lutas, o meu sofrimento, como coisas que me oprimem, algo de feio, pouco feminino, e nesses momentos queria somente ser bonita e tola, um brinquedo desejado por um homem. Coisa curiosa, querer ser-se sempre desejada por um homem, ser isso para nós o mais alto padrão de afirmação de que somos mulheres, embora isso seja, vendo bem, muito primitivo. Sentimentos de amizade, respeito pela nossa personalidade, amor por nós enquanto seres, tudo isso é muito bonito, mas em última instância não queremos que o homem nos deseje como mulher? É ainda quase impossível para mim escrever tudo aquilo que aqui quero dizer, é extremamente complicado, mas é algo de essencial e é importante que o consiga.

Talvez a genuina, interior emancipação feminina ainda tenha que começar...”

Etty Hillesum - Diário


“A um determinado momento uma pessoa reencontra-se às voltas com a mesma questão: a compulsão que tens em ti ou essa ficção ou fantasia, como lhe queiras chamar, de querer possuir uma só pessoa por uma vida inteira, tens de a estilhaçar em mil pedaços.  Esse absoluto tem de ser pulverizado dentro de ti. E em seguida não ficar com a ideia de que a pessoa fica mais pobre com isso, mas justamente mais rica. Bastante mais difícil, mas com mais nuances. Aceitar os pontos altos e baixos nas relações, e encarar isso como positivo e não como entristecedor. O não querer possuir  um outro, o que não significa renunciar ao outro. Deixar o outro em total liberdade, interiormente também, sem que contudo tal signifique resignação. Começo agora a identificar a natureza da minha paixão no meu relacionamento com o Max. Era a dúvida, porque sentias que o outro era inalcançável em última instância e isso atiçava-te ainda mais. Mas isso aconteceu provavelmente porque querias alcançar o outro de modo errado. De modo demasiado absoluto. E o absoluto não existe. Que a vida e as relações humanas são infinitamente matizadas, que não há em parte alguma algo absoluto ou objectivamente válido, isso também eu sei, mas este conhecimento deve estar também no sangue, em ti mesma, não só na cabeça, mas deve também ser vivido...”

Etty Hillesum - Diário



Quanto a este último excerto acho que ainda há muito que se lhe diga... Isto de deixar o outro ser completamente livre é ... tentador. Mas será que é isso que fazemos? Porque às vezes parece-me mesmo que não...


Há uns anos alguém me dizia, que não gostava nada quando a mãe mexia no telemovel do pai sem lhe dizer nada. Ou quando telefonavam para o pai e a mãe logo ia ver quem era. E quando a mãe falava com o pai ao telefone, não era a simples pergunta “tudo bem?” ou “como estás?” que surgia em primeiro, mas antes o “onde estás?”, “com quem é que estás?”. Tudo como se de um controlo se tratasse... e o engraçado é que agora vejo esse alguém, a fazer algumas dessas coisas...


Não sei se sou eu que vejo o mundo através de óculos cor de rosa, ou se afinal sou eu que tenho razão, quando acho que uma relação tem que ter como principal pilar a CONFIANÇA. Pelo menos para mim não faz qualquer sentido, andar toda uma vida a fazer de policia, a ver com quem anda a pessoa de quem gosto, por onde anda... Isso não me interessa! O que interessa é que por onde ela andar, e com quem ela andar, que eu realmente ande com ela nessa caixinha que bate e nos dá vida... 

Quanto ao SER MULHER... bem adoro a frase do primeiro excerto:  "Talvez a genuina, interior emancipação feminina ainda tenha que começar..." ;)

Um grande beijo a todas as mulheres, que apesar de serem grandes, não precisam de se sentir superiores aos homens. Porque ai está precisamente a sua grandeza!

 



segunda-feira, 1 de março de 2010

Morte 1 : Live like we're dying

Falar da morte confronta-nos sempre também com a vida e com o sentido dela.

Este mês decidi dedicá-lo precisamente a isto...  Ao tema da morte.
Alguns textos fui guardando e este mês vou postá-los por aqui.

Só abrirei uma excepção para o dia da mulher claro.:)

Para hoje fica a mensagem... 
Devemos viver o dia como diz a expressão Carpe Diem: Vive o dia como se fosse o último





"Às vezes, desmoronamos e não nos conseguimos reerguer
Estamos nos escondendo atrás de uma dura pele
Por que é que não dizemos "amo-te" o suficiente
Antes que seja tarde demais, não é tarde demais!
Os nossos corações estão famintos por um alimento que não vem
Poderiamos fazer algo extraordinário das migalhas
E estamos todos a olhar para a mira de uma arma
Se a tua vida passasse como um flash diante de ti
O que gostarias de ter feito?


Sim... temos que começar
A olhar para o ponteiro que nos foi dado aqui
Isso é tudo o que temos e temos de começar a vivê-lo
Cada segundo conta num relógio que está a contar
Temos que viver como se estivéssemos morrendo



Nós só temos
86 400 segundos por dia para
Transformar tudo ou jogar tudo fora
Temos que dizer que amamos,
Enquanto temos a oportunidade para dizer
Temos que viver como se estivéssemos morrendo


E se o teu avião caísse do céu
Quem chamarias no teu último adeus?
Devemos ter cuidado com quem deixamos fora das nossas vidas
Porque senão quando estivermos ansiosos pela absolvição
Não haverá ninguém...


Nunca sabemos que uma coisa é boa até que a perdemos
Nunca se prevê um choque até que ele aconteça..."

The Script

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Alma

"Como é que sabemos que é a nossa alma que vai para o céu, se o nosso corpo não vai?


É como ver um álbum de fotografias.
Há medida que os anos vão passando, nós vamos ficando mesmo muito diferentes.
Às vezes, nem temos nada a ver com o que éramos, quando éramos pequenos.
Mas continuamos a dizer que somos nós, porque lá dentro somos nós e é isso que interessa."
P. Nuno Tovar Lemos s.j.


terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Passo-a-rezar

Os jesuítas acabam de lançar o www.passo-a-rezar.net, uma proposta de oração para quem não vive parado.


Cada dia, são 10 minutos de texto, pistas de oração e música, em formato mp3 para descarregar. Depois, é só levar e rezar no metro, no autocarro, a passear pela rua ou simplesmente sentado à secretária.

Vídeo publicitário:






Eu diria que é um site que vai dar muito que falar... ou será rezar? :)

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Jeux D'amour

Um dia sem sentido?

Ou um dia com sentido... verdadeiramente... comercial?

É dificil haver um dia especial para celebrar o amor entre duas pessoas. Afinal de contas ele deve ser celebrado todos os dias. Acho que é quase como o casamento. Muita gente fala do DIA do seu casamento. “E esse dia é apenas o PRIMEIRO DIA em que duas pessoas se casam. Depois virão muitos outros DIAS em que se voltarão a casar. Dias em que voltarão a prometer e cumprir tudo o que prometeram um dia, perante Deus e a igreja.” 
P. Carlos Carneiro s.j.

E neste sentido, acredito no dia dos namorados com um sentido verdadeiro, mas se for um dia para pensar e porque não rezar as promessas que cada namorado tem com a sua namorada e vice versa. Mas para isso não preciso comprar nada, porque o essencial já se tem.     O amor.

Mas há vezes em que acabamos por andar um pouco perdidos não?
É que o dia dos namorados então devia ser todos os dias, ou seja todos os meses de cada ano.
Não nos percamos na comercialidade da vida... e do amor!



sábado, 13 de fevereiro de 2010

P. S.




“ "correio de pablo neruda para mario jiménez", levantando numa das mãos o pacote (...) e na outra uma ansiada carta, o carteiro voou (...) e arrebatou
os dois objectos. fora de si...
- qual abro primeiro, a carta ou o pacote?
- o pacote, filho - sentenciou dona rosa. – na carta só vêm palavras.
- não, senhora. primeiro a carta (...)
Rasgou-o com a paciência e a leveza de uma formiga. com as mãos a tremer, pôs diante dos seus olhos o conteúdo (...)
"que-ri-do ma-rio ji-mé-nez de pés a-lados" (...)
"com saudades abraça-vos o vosso vizinho e alcoviteiro, pablo neruda".
- vamos abrir o pacote - disse dona rosa depois de cortar com a fatídica faca da cozinha os cordéis que o atavam. mario pegou na carta, e pôs-se a observar cuidadosamente o final e depois o reverso.
- não há mais?
- o que mais queria então, meu genro?
- essa coisa com «p s» que se põe ao acabar de escrever.
- não, pois, não tinha nenhum disparate de ps.
- acho estranho que seja tão curta. porque vendo-a assim de longe, parece que é mais comprida. (...) quando me ensinaram a escrever cartas na escola, disseram-me que tinha sempre de se pôr no fim ps e depois juntar qualquer outra coisa que não se tinha dito na carta. tenho a certeza de que don pablo se esqueceu de alguma coisa.
rosa remexeu a abundante palha que enchia o pacote, até que acabou por tirar um (...) gravador «sony» de microfone incorporado. preparava-se para ler um cartão manuscrito a tinta verde, pendurado de um elástico que rodeava o aparelho quando mario lho tirou com um puxão.
- ah, não senhora! você lê com demasiada rapidez. pôs o cartão uns centímetros à sua frente, como se o colocasse numa estante de música, e foi lendo com o seu tradicional estilo soletrado:
"que-ri-do ma-rio dois pon-tos ca-rre-ga o bo-tão do mei-o".
- você demorou mais tempo a ler o cartão que eu a ler a carta - simulou um bocejo a viúva.
- É que você não lê as palavras, mas devora-as, senhora. as palavras temos de saboreá-las. temos de deixá-las desfazerem-se na boca. fez uma espiral com o dedo, e a seguir assestou-o na tecla do meio. a voz de neruda:
"pós-scrito".
pós-scrito! eu bem disse que não podia haver uma carta sem pós-scrito. o poeta não se esqueceu de mim. eu bem sabia que a primeira carta da minha vida havia de vir com pós-scrito. agora está tudo claro, sograzinha. a carta e o pós-scrito.
fez voltar atrás a fita, carregou a tecla indicada e aí estava outra vez a pequena caixa com o poeta lá dentro. um neruda sonoro e portátil.
- "pós-scrito" - ouviu outra vez embevecido. "queria mandar-te mais alguma coisa além das palavras. por isso meti a minha voz nesta gaiola que canta. uma gaiola que é um pássaro. ofereço-ta. Mas também quero pedir-te uma coisa, mario, que só tu podes fazer. os outros meus amigos todos ou não
saberiam o que fazer, ou pensariam que sou um velho gagá e ridículo. quero que vás com este gravador passear pela ilha negra, e me graves todos os sons e ruídos que fores encontrando. Preciso desesperadamente nem que seja do fantasma da minha casa. a minha saúde não anda bem. falta-me o mar. faltam-me os pássaros. manda-me os sons da minha casa. vai ao jardim e deixa tocar os sinos. Primeiro grava esse repicar fininho dos sininhos pequenos quando os agita o vento, e a seguir puxa a corda do sino maior, cinco, seis vezes. sinos, meus sinos! não há nada que soe tanto como a palavra sino, se a ouvimos de um campanário junto do mar. e vai até às rochas, e grava-me a rebentação das ondas. e se ouvires gaivotas, grava-as. e se ouvires o silêncio das estrelas siderais, grava-o. paris é bonita, mas é um fato que me fica demasiado largo. além disso aqui é inverno, e o vento revolve a neve como um moinho de farinha. a neve sobe e sobe, trepa-me pela pele acima. faz de mim um triste rei com a sua túnica branca. já chega à minha boca, já me tapa os lábios, já não me saem as palavras"."
em "O carteiro de pablo neruda" de Antonio Skármeta 

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Shimbalaiê...



"Shimbalaiê, quando vejo o sol beijando o mar
Shimbalaiê, toda vez que ele vai repousar (2x)

Natureza deusa do viver
A beleza pura do nascer
Uma flor brilhando à luz do sol
Pescador entre o mar e o anzol

Pensamento tão livre quanto o céu
Imagino um barco de papel
Indo embora pra não mais voltar
Tendo como guia Iemanjá

Shimbalaiê, quando vejo o sol beijando o mar
Shimbalaiê, toda vez que ele vai repousar (2x)

Quanto tempo leva p'ra aprender
Que uma flor tem vida ao nascer
Essa flor brilhando à luz do sol
Pescador entre o mar e o anzol

(...)

Ser capitã desse mundo
Poder rodar sem fronteiras
Viver um ano em segundos
Não achar sonhos besteira
...
Quando mentir for preciso, poder falar a verdade"

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Etty Hillesum - Diário 1941-1943


Um livro que sem dúvida me marcou. Talvez por saber que é um testemunho real. E pelo tema também ser algo que me diz muito. Bem, foi um livro que mudou muita coisa. Acho que o mais engraçado foi... Eu não estou nada habituada a marcar os livros. Neste foi precisamente ao contrário, foi só ver crescer post-its espalhados pelas folhas fora. Cerca de 20 pelo menos. De tal maneira que até me perguntaram quem me viu com o livro se ele era assim tão bom. Porque ainda para mais, era alguém que me conhecia e percebeu que não era de todo normal isto em mim. :)


Mas realmente, o livro é um testemunho de vida que nos deixa estupidificados. (bem lá estou eu a inventar uma palavra :P).


Claro que em situações limite é quando os seres humanos se conhecem melhor e tendo em conta que se tratava de uma judia, na altura da Segunda Guerra Mundial, era certamente uma situação limite por excelência. Mas neste caso foi mais que isso... a Etty teve um crescimento marcável ao longo de todo o livro. Espero sinceramente ter aprendido alguma coisa com a sua vida. Porque desde a fé que nela vai crescendo, até à visão da vida que vive e que a rodeia, ela é simplesmente exemplar.

O viver e o morrer, o sofrimento e a alegria, as bolhas nos meus pés gastos e o jasmim atrás do quintal, as perseguições, as incontáveis violências gratuitas, tudo e tudo em mim é como se fosse uma forte unidade, e eu aceito tudo como uma unidade e começo a entender cada vez melhor, espontaneamente para mim, sem que ainda o consiga explicar a alguém, como é que as coisas são, gostava de viver longamente para no fim, mais tarde, conseguir explicar, e se isso não me for dado, pois bem, nesse caso uma outra pessoa irá fazê-lo e então um outro continuará a viver a minha vida, ali onde a minha foi interrompida, e por isso tenho de viver a minha vida tão bem e tão completa e convincentemente quanto possível até ao meu derradeiro suspiro, para que o que vem a seguir a mim não precise de começar de novo nem tenha as mesmas dificuldades.”

Por fim, há medida que me ia aproximando do fim do livro, ia ficando com pena de estar a acabar. Não só porque me aproximava do fim de tudo o que tinha sido escrito por Etty, mas também porque significava que mais próxima do campo de concentração Etty se encontrava. No entanto, alegrava-me ao mesmo tempo, porque ela viveu mais em dois anos de vida, que muita gente vive em toda uma vida. E isso só pode ser uma grande mensagem de esperança para cada um.

Alguns post’s com excertos do livro já andam aqui pelo blog. Mas mais virão...

Em seguida deixo os links para um blog que tem vários excertos diferentes dos que colocarei aqui e que mostram o seu crescimento interior.

Parte 1 


Parte 2  


Parte 3


Parte 4  


Parte 5





E apesar de toda esta quantidade que foi transcrita, acreditem o livro tem muuuuuito mais. Vale mesmo a pena ler!

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

O silêncio das palavras

“De repente fiquei a saber: é assim que eu quero escrever. Com um espaço imenso à volta das palavras. Detesto muitas palavras. Quereria escrever somente palavras organicamente inseridas num grande silêncio, daquelas cuja única utilidade é dominar o silêncio e rasgá-lo.

Na realidade as palavras devem acentuar o silêncio... Detesto uma acumulação de palavras.

Na realidade pode usar-se poucas palavras para nomear as grandes coisas que importam na vida. Se algum dia chegar a escrever – o quê, sinceramente? – gostaria então de pincelar algumas palavras sobre um fundo mudo. E há-de ser mais dificil de reproduzir e animar esse silêncio e essa mudez do que achar as palavras.

O importante será a relação justa entre palavras e silêncio, um silêncio no qual acontece mais do que em todas as palavras que uma pessoa consiga reunir... Não se trata de um silêncio vago e inantigivel, esse silêncio terá também de ter os seus próprios contornos definidos e a sua própria forma.





E, por conseguinte, as palavras deveriam servir somente para dar forma e delineação ao silêncio.”

Etty Hillesum - Diário

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Banda sonora ideal

Bem não sei se é coincidência se não, mas encontrei um filme que me fez lembrar de uma música portuguesa recente, que parece exactamente que foi feita para descrever o filme que deixo de seguida.

Então o que proponho é...

Colocar este filme do youtube a tocar... E passar ao seguinte filme. Este é só para ouvir a música...






Colocar este também a rodar... e tirar o som senão as músicas ficam sobrepostas. :)


A Thousand Words from Ted Chung on Vimeo.





E agora claro a letra da música:

"Longe daqui,
Tens um segredo guardado,
Para abrir,
Num lugar mais desejado,
Num lugar onde possas saber,
Que por ser segredo não podes dizer;

Serás tu a sombra que olhas no chão,
Serás a promessa que trazes na mão,
De que serve o teu disfarce e o teu secreto olhar,
Se não tens ninguém a quem te revelar,
Serás o silêncio ou um sonho desfeito,
Será teu o grito que arrancas do peito,
De que vale teres a Lua e o Céu inteiro para voar,
Se não tens ninguém a quem te poder dar;

Fixaste o teu olhar no meu,
Ficaste longe daqui,
Tu estás longe de ti,
Tão longe de nós,
Podes parar de saltar,
Noutro lugar"


Tem tudo a ver ou não?... Eu acho que sim!!


O post do blog onde encontrei o filme aqui fica também, porque a mensagem que tem, diz mesmo muito...

http://toquesdedeus.blogspot.com/2009/06/thousand-words.html

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

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Porque a música está mesmo em toda a nossa vida...
Nos altos e baixos...
Pode fazer-nos ficar lá no cimo, quando estamos mesmo em baixo...
Ou pode até deixar-nos um pouco tristes ás vezes...

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