domingo, 2 de fevereiro de 2020

Sorrio e rio-me agora de ti desconhecido!

Eu atrapalhada com os meus sapatos a serem levados pela segurança. A ser revistada e a ter que mostrar até a parte debaixo dos pés...
E eu descalça, ironicamente descalça.

Foi quando os nossos olhos se cruzaram.

O teu olhar foi de quem viu algo de precioso.
E demorado contemplou o meu. Sem qualquer tipo de pressa.
Foi como se na correria das seguranças o tempo parasse de repente apenas entre duas pessoas.

O meu fugiu inesperado com tamanho assalto depois de não saber mais o que fazer.
Depois de recuperar os sapatos e aí me sentir então mais segura, procurei-te de novo no mesmo lugar. Tinhas desaparecido.


Segui caminho.
Parei ao pé do ecrã das partidas para ver a porta do meu voo.
Foi quando ouvi uma mala a rolar atrás de mim.
E de repente ali estávamos os dois lado a lado a olhar para os nossos voos. Parados. Sem nada a dizer.
Breve nos voltariamos a afastar.

Lembro-me agora de ti.
Que tinhas em ti algo de recatado.
O teu assalto tinha sido suave. E o teu vestir não me deixa ainda claramente adivinhar de onde vinhas nem para onde foste.
Mas fazia de ti um menino bem comportado ao estilo dos desenhos animados. :)

Fizeste-me lembrar alguém que há algum tempo me fez rir muito também.
E que triste ficou quando teve que se despedir.

Não tenho fim para este texto.
Gosto de nos imaginar apenas a voar cada um no seu sentido pelo céu e no meio das estrelas.
Algo me diz que também te lembrarás de mim.
Pelo menos por uns dias.

Acho que as nossas almas se viram uma à outra. :)

domingo, 3 de novembro de 2019

Caixas de cores

Caixas.
Sermos vistos como caixas.
Inertes. Sem expansão. Completamente definidos e imunes a mudanças.
Incomoda-me que sejamos todos colocados em caixas com determinadas etiquetas.
E aí tenhamos que permanecer a não ser que estejamos preparados para desafiar as percepções que os outros têm de nós.
Sempre o melhor. Sempre o mais sábio. Sempre o mais certinho. Sempre o perdido. Sempre o alegre. Sempre... qualquer coisa.
Como se fosse possível sermos apenas uma coisa de cada vez.
Gosto de pensar que temos muitas cores cá dentro.
Que nem sempre mostramos. Ou por medo ou por acharmos que não vale a pena.
Gosto de pensar que algumas pessoas só veêm algumas cores e acham que já conhecem o nosso arco íris. E assim nos definem. Se nos atrevemos a mostrar uma cor a mais do que previsto. Talvez seja considerado um desvario, escape ou insanidade. E não apenas mais uma cor.
E gosto de pensar naqueles que sabendo que não cohecem todas as nossas cores, têm a paciência de irem esperando pelas nossas diferentes cores.
Não para as validarem, mas apenas para as admirarem.
Gosto de muitas cores.
Apesar de muitas vezes ser muito preto no branco. Mas também gosto disso.

domingo, 13 de outubro de 2019

Tempo para guardar a luz. Perceber o seu significado

Estes têm sido meses para enfrentar a escuridão.
Mesmo com medo.

Para que possa aceder à luz que está em mim e à minha volta.
Tantas vezes encoberta pelas sombras projectadas em mim.
Pelas sombras que a minha luz também cria.

Tempo de deixar a luz também ser sugada. Para o baú das memórias. Para que ilumine o que é bom e para deixar que o que foi mau possa adormecer na escuridão em paz.

Sair de nós essa luz.
Desentranhar-nos essa pequenez, que  nos vai correndo quando queremos seguir caminhos que não nos foram destinados. Ou que foram desencontrados pelo medo. E que nunca mais se encontram. Quanto mais o percorremos mais nos perdemos e afastamos.

À medida que caminhamos vemos à nossa volta a luz ser sugada.
E a felicidade vai junto. Fica só a escuridão e as feridas da morte.

Deixamos que o tempo ande para trás. Só mais uma vez para o saborearmos agora e vivermos agora com outra percepção. Talvez desta vez com a verdadeira. Que ainda não estamos preparados para o amor maior. Aquele que nos faz superar-nos.

Depois da coragem de tirar a armadura, vem a coragem da cura.
Da aceitação.
Que desistir é preciso. E que nem sempre os nossos desejos resultam.
Mas foi por pouco.


O crescimento fica cá.
E esse talvez seja o mais bonito de guardar.


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