Pierre...
De brilho de miúdo nos olhos,
Óculos de quem muito viu,
Olhar de quem sabe que somos todos apenas pequenos grãos neste grande mundo.
Sorriso simples,
Gargalhada envergonhada e surpresa, em resposta ao meu olhar sincero e demasiado transparente para esconder o brilho que me fazias irradiar.
De bicicleta orgulhosa, com todos as vantagens que me fazias acreditar que tinha. E eu a dizer-te que apenas de carro andava.
Ouvir-te ler em francês perfeito. Como se me contasses histórias.
Ouvir-te dizer o português que sabias. Assim como eu tentava dizer-te o francês que pouco sei.
Falar de arte e Le Corbusier.
Contares-me qual a tua cidade natal e eu saber que havia um filme de cinema sobre ela. Sorrimos.
Percebermos a sintonia e perdermo-nos em olhares que racionalmente tentámos sempre contrariar. Porque nem sempre é o momento.
Procurar a tua bicicleta e saber que a sua ausência, significava a tua ausência.
Saber que somos rasgos de eternidade nos nossos passos finitos.
Sorrindo digo-te Pierre:
À demain! :)
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